Literatura
Exército 3 x 0 Providência
Vamos fazer de conta que esses três jovens são brancos e da classe
média. Vamos abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas, usar fitinha branca. Chama a Hebe, a Ivete. Ué, cadê todo mundo, porra? Quando morre pobre ninguém quer... E o silêncio é mais covarde e violento do que bala de fuzil
Sérgio Vaz
29 de junho de 2008
O grande concerto
A mão ensangüentada não segurava mais a gilete, mas ela não devia estar longe. Os dedos semidobrados estavam pretos, e em volta do pulso a branquidão extrema da pele era realçada por uma pulseira de sangue seco
Fábio Fernandes
28 de junho de 2008
Gente como a gente — ou algo parecido
Diferente de muitos de sua geração, Miranda July não é dada a pirotecnias visuais ou malabarismos narrativos. Suas histórias são bem diretas, e os personagens densamente construídos
Alysson Oliveira
28 de junho de 2008
Uma simples pergunta ou um profundo questionamento?
A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance
Renata Miloni
28 de junho de 2008
Pequenos espaços, grandes problemas
— E aí escolheram a resposta mais criativa.
— Que pergunta?
— "Qual a diferença entre a mulher e a televisão?"
— E o que você respondeu?
— O controle remoto!
Daniel Cariello
27 de junho de 2008
Os novos Espelhos de Galeano
Escritor uruguaio lança seu livro mais recente: "Espejos. Una historia casi universal". Em tom de crônica poética, obra passeia por temas como arte, desigualdade, feminismo, mídia, impérios e resistências. "Le Monde Diplomatique" publica uma seleção de trechos, cedidos e escolhidos pelo próprio autor
Eduardo Galeano
24 de junho de 2008
Leres em tilt
— Sabe, adoro escutar essa língua.
— E você entende?
— Sim, claro. Sou brasileira.
— Ué. E por que não fala com a gente em português?
— Boa idéia! Sabe, j’aime beaucoup morar em Paris.
Daniel Cariello
23 de junho de 2008
Um episódio em parte real
Cheguei a fantasiar que o catalisador de toda a história desapareceria de repente ou revelaria ser um demônio, um duende, qualquer ser sobrenatural. Mas qual, o velho continuou encalacrado, olhos nos joelhos, como se nada se passasse à sua volta
Diego Viana
21 de junho de 2008
Sexo como missão
Em "Pantaleão e as visitadoras", de Vargas Llosa, a sofisticação do risível está justamente nas sutilezas que o cercam e produzem o humor no seu sentido mais elaborado: no lugar que ocupa entre o cômico e o trágico
Cristina Betioli Ribeiro
21 de junho de 2008
E quem os chineses não surpreendem?
Em coletânea de colunas publicadas no jornal inglês "The Guardian", Xinran se esforça para explicar as diferenças entre a China e o Ocidente – e acaba engrossando o coro dos atarantados pela complexidade e velocidade das mudanças naquele gigante asiático
Marina Della Valle
21 de junho de 2008
Pierre Jean Jouve, dois poemas
Murilo Mendes escreveu sobre Pierre Jean Jouve em duas oportunidades, para os "Retratos-relâmpago" e para os "Papiers", textos em francês reunidos na edição cuidadosa de Luciana Stegagno Picchio
Pablo Simpson
21 de junho de 2008
Arigatô, monsieur
. No bairro chinês tem um McDonalds com cardápio em chinês. Ou em japonês, sei lá.
. Apesar de ter sido criado por um japonês, o Miojo e seus derivados são chamados aqui de "macarrão chinês".
. O bairro chinês, na verdade, fica na Praça da Itália.
Daniel Cariello
16 de junho de 2008
A pequena e valiosa glória dos prêmios literários
No caso de Joanna Kavenna, apesar de ter 34 anos, foi preciso um amadurecimento de sete romances terminados e rejeitados pelas editoras para que finalmente tivesse um reconhecimento
Renata Miloni
13 de junho de 2008
A lira múltipla de Lope de Vega
Lope Félix de Vega Carpio, chamado por Miguel de Cervantes de “monstro da natureza”, é um caso singular de fertilidade criativa
Marco Catalão
13 de junho de 2008
Um presidente negro que a história esqueceu
Se tivesse nascido uns trinta ou quarenta anos antes, Lobato provavelmente teria sido convidado para fazer parte da Fabian Society, que tinha entre seus membros H. G. Wells e Bernard Shaw, pregava o socialismo científico ou utópico e previa o progresso da humanidade por meio da ciência
Fábio Fernandes
13 de junho de 2008
A morte contemporânea
Em “Ruído branco”, tecnologia e consumo são citados em profusão, e não apenas como parte do modo de vida prático, mas como elementos com que os personagens também criam ligações íntimas de pavor ou fascínio
Marco Polli
13 de junho de 2008
Um quadro, três histórias
Verdadeiros samurais modernos, munidos de máquinas fotográficas ao invés de espadas, os japoneses não se importaram com as dimensões da obra e nem com o aviso, e saíram clicando em uma velocidade digna de Guiness. Do livro dos recordes, claro, não da cerveja
Daniel Cariello
9 de junho de 2008
Seis
Para boa parte dos seguidores de Pitágoras, o divino Um era a manifestação inteligível do universo, o Dois colocava diante do homem a presença dos opostos, o Três escancarava os portais do múltiplo
Diego Viana
6 de junho de 2008
Pêlo amargo na narina
Ainda não havia feito a barba. Áspera. E, na narina, aquele pêlo. Pirata. Não, não era seu aquilo. Um pêlo que crescia de dentro pra fora, a incomodar-lhe, a roçar-lhe o buço, a lembrar-lhe a existência, minuto a minuto, a roubar-lhe tempo
Teresa Candolo
6 de junho de 2008
Triste sina
Quem o visse, se o visse, de relance, nesse instante após a metamorfose, não sabia o que via, o que tinha visto, um vulto fugaz, um tiro veloz, um vasto susto, um engano da vista
Antonio Carlos Olivieri
6 de junho de 2008
Domingo
A voz do homem está mais baixa e rouca, como se ele fosse chorar. Aqui, ó, aqui! Os olhos parecem que vão saltar do rosto e rolar na sarjeta. Agarra a mão e guia para a virilha. Há ali uma coisa cega e sem nome
Neuza Paranhos
6 de junho de 2008
Salamaleque!
— Bra bra bra minha mulher bra bra bra bra.
— Eu sei, eu sei. Também acharia estranho o fato de a moto sumir.
— Bra bra bra bra bra loja... Gentil bra bra.
— Que isso... Precisando é só chamar.
Daniel Cariello
2 de junho de 2008
Cinco aspectos da imagem na literatura
Creio que a insistência em tentar reconhecer (inutilmente) na literatura contemporânea a semelhança com roteiros de filmes parte apenas primeiramente do leitor, que não consegue mais diferenciar de forma clara as duas (ou mais) artes
Renata Miloni
30 de maio de 2008
Quando escrever deixou de ser uma arte
Hoje, o jornal que passa por debaixo da minha porta, salvo honradas exceções, é ilegível. Já fiz pesquisas em jornais antigos na Biblioteca Nacional e cheguei a sentir os olhos marejados – de raiva – pela comparação com o jornal pelo qual pago hoje
Simone Campos
30 de maio de 2008
Dois poemas de Erín Moure
No terceiro número de nossa seção dedicada à tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle, apresentamos dois poemas de Erín Moure
Virna Teixeira
30 de maio de 2008
A casa no morro – Final
E eu não tinha uma droga de um par de algemas. Puxei o cadarço do meu
tênis e o usei para amarrar os pulsos de Joana. Apertei o nó com força.
Ela não resistiu. Pareceu-me que estava sorrindo
Olivia Maia
30 de maio de 2008
Roteiro de viagem
— Essa, não.
— Não quer visitar a Torre Eiffel?
— Quero não.
— Mas todo mundo que vai a Paris visita.
— Pois eu vou ser o primeiro a não ir.
Daniel Cariello
26 de maio de 2008
*
Pablo Simpson
24 de maio de 2008
A casa no morro – Parte 4
Iuri talvez se aborrecesse com minha afirmação. Ele preferia chegar
pelas bordas. Senti que me lançava um de seus olhares de censura, mas eu
estava prestando atenção na reação de Jônatas. O homem não se moveu. Não
havia como ficar mais branco. Porque havia desconfiado do que estava por
vir
Olivia Maia
24 de maio de 2008
Na rua, outra rua
De manhã, domingo, o tapete cristalino sobre o chão denuncia a madrugada em que a rua, tão desimportante, pertenceu a pessoas que costumam só ter com ela uma relação de passagem ou compromisso. O bar, portas fechadas, recobriu-se de seu aspecto simplório, por trás da bandeira puída
Diego Viana
24 de maio de 2008
Clea
Histórias novas, e algumas reinterpretadas, vêm outra vez salvar o romance do pecado da falta de originalidade, tendo em vista a existência de seus antecessores. Passei por quase todas elas com o desdém de um “connaisseur” enfastiado
Luiz Paulo Faccioli
24 de maio de 2008
Calendário de inverno
— No fim das contas, o que importa é que o verão está chegando. Quais são seus planos?
— Eu vou pro Brasil.
— Pro Brasil, pro inverno de lá? E vai fazer o quê?
— Como assim? Usar todos esses casacos que comprei, claro.
Daniel Cariello
18 de maio de 2008
A casa no morro – Parte 3
O cachorro tinha uma mancha de sangue na cabeça e estava próximo a uma porta que devia sair para o lado de fora. O chão me pareceu limpo. Ou sujo o suficiente para que o sangue sequer aparecesse. Inclinei-me por sobre o cachorro e olhei a porta. Dedos na maçaneta
Olivia Maia
16 de maio de 2008
A leitura como exercício da individualidade
Um dos momentos em que mais se pode reconhecer, reconquistar e exercer a individualidade é durante uma lenta leitura. A mim, a literatura vale muito mais, ou melhor, tem seu real valor quando a atenção despretensiosa mas inevitável é o que move a leitura
Renata Miloni
16 de maio de 2008
Joyce Carol Oates e sua ciranda de meninas más
Dona de uma visão extremamente singular do mundo, a autora demonstra maestria ao tecer enredos que, no melhor estilo do suspense norte-americano, muitas vezes dependem do elemento surpresa, do engenho ao manipular os elementos narrativos para causar sensações e sugestões
Marina Della Valle
16 de maio de 2008
Ficção Científica no Brasil: grandes esperanças
A história está longe de terminar para a FC brasileira. Graças às comunidades de Web, novos autores, que não tinham a menor ligação com o CLFC nem com os autores citados anteriormente, foram surgindo e ocupando um lugar fundamental na literatura do gênero e em suas discussões críticas
Fábio Fernandes
16 de maio de 2008
Realismo na Roma Antiga
É possível imaginar que o sonho de Petrônio seria o de criar uma obra que não fosse uma imitação piorada do modelo, mas uma outra, capaz de expressar essa inadequação; para isso, optou por um gênero ainda pouco prestigiado, o romance, e de um estilo baixo, que não abrisse mão da paródia aos clássicos. O resultado é uma obra de caráter realista
David Oscar Vaz
9 de maio de 2008
A casa no morro – Parte 2
Ao fim do percurso pude ver uma casa pequena – suja como tudo mais naquela região. Com o carro parado, Iuri abriu a porta e foi até um matagal amarelado na direção oposta da casa. Daquele lado o mato seguia até onde eu podia enxergar, mas por todos os outros era tudo uma terra seca e pálida. E a casa velha. Para trás dela era possível enxergar uma parte de um carro vermelho. O Escort
Olivia Maia
9 de maio de 2008
Poemas
Pedro Marques
9 de maio de 2008
Uma fábula de paredes
Enquanto espia o chuvisco sobre a folhagem da rua, não percebe como a memória apagou os sofrimentos e fechou as feridas. Restam só as imagens de terras exóticas que o fascinaram, lugares não raro ausentes dos mapas
Diego Viana
9 de maio de 2008
Eu x Zidane
"Senti o peso e a responsabilidade. 160 milhões de brasileiros e 60 milhões de italianos esperavam ansiosos por alguma ação minha. Respirei fundo e, imitando o meio-campista francês, meti a testa no peito do cara, com mais força do que o previsto"
Daniel Cariello
9 de maio de 2008
Se fosse ficção
Talvez a palavra resolva seguir ao lado da literatura, mas também se mantém sozinha, também é seu próprio alicerce. Apenas ela pode se narrar
Renata Miloni
3 de maio de 2008
A casa no morro – Parte 1
Olivia Maia
3 de maio de 2008
O bestiário do Cristo
Sem a desconfiança dos primeiros homens da Igreja, ciosos em preservar o dogma cristão contra aquilo que identificavam como um vestígio das idolatrias pagãs, Charbonneau-Lassay vai buscar não só a interpretação religiosa, mas as numerosas fontes pagãs e o modo como os primeiros cristãos se apropriaram de antigos emblemas locais: a águia, o golfinho, a fênix, o íbis no Egito, o leão em Roma
Pablo Simpson
3 de maio de 2008
Ficção Científica: sobre nós e nossa condição
Lá fora, nos Estados Unidos e na Europa, a ficção científica já saiu da infância há muito tempo. A zona de sombra, a zona do crepúsculo, a Twilight Zone da incerteza aumenta cada vez mais. Os tons de cinza estão cada vez mais ricos. E é nessas frestas entre os tentáculos da besta que a ficção científica atual tem encontrado seu nicho
Fábio Fernandes
3 de maio de 2008
Paris para crianças
— Você sabe o que é escargot?
— Não.
— É um caramujo.
— Eca.
— Os franceses comem.
— É por isso que eles fazem aquele biquinho?
Daniel Cariello
29 de abril de 2008
A mulher do tenente francês
John Fowles aproxima-se do modelo do romance vitoriano para negá-lo, ao final. Não sem antes lhe reservar um último golpe: o final em aberto. Não que o romance termine inconcluso; mas possui dois finais possíveis. Na verdade três
Gregório Dantas
25 de abril de 2008
Um conhecido entre os traços
Está claro, mas não nítido, por que o desgraçado é assim tão familiar. As paralelas que deveriam se encontrar no infinito podem sofrer desvios. Podem chocar-se ainda no tempo. Eventualmente, acontece
Diego Viana
25 de abril de 2008
José Watanabe: o guardião do gelo
A presença da cultura japonesa na obra de José Watanabe não se limita a elementos biográficos, mas está arraigada numa série de características que revelam um longo convívio com a tradição literária do haicai
Marco Catalão
25 de abril de 2008
Bala de fogo
(Poema singelo contra a morte)
Teresa Candolo
25 de abril de 2008
Protesto!
Todo dia tem uma manifestação em Paris, pelos motivos mais diversos. Ontem, esbarrei em uma passeata pelo direito dos cães. Quando cheguei em casa, encucado, comecei a fazer uma lista de possíveis novas campanhas, organizações e movimentos, caso a inspiração dos parisienses acabe um dia
Daniel Cariello
23 de abril de 2008
Para apreender um significado
"Carta a D." não é um livro que somente conta a história de um amor, é o registro de um significado. Um querer teorizar para si mesmo, ver de forma intelectualizada algo que o próprio autor percebeu que não poderia ser transformado em teoria
Renata Miloni
18 de abril de 2008
Um final entediante
Ao extrair do inimigo sua força e sapiência, Pullman diminuiu o valor deste e, por conseqüência, o desfecho nada mais é do que uma vitória de Pirro, que não convence a ninguém
Dida Bessana
18 de abril de 2008
Mountolive
O que mais impressiona na engenhosa construção de “O Quarteto...” é a perícia com que Durrell, a partir de uma trama obscura, repleta de ambigüidades, racionaliza e vai contrapondo novos elementos para criar um universo perfeito que o leitor depois irá desvendar — e que irá surpreendê-lo
Luiz Paulo Faccioli
18 de abril de 2008
Não sou anjo nenhum
Samara Leonel
18 de abril de 2008
A faca sutil: pouca emoção
Lorde Asriel arregimenta um exército composto por homens que sofreram a intercisão, portanto não têm medo, nem imaginação, nem vontade própria
Dida Bessana
11 de abril de 2008
O dilema da literatura de gênero brasileira
A literatura policial brasileira contemporânea é quase inexistente, mas o mesmo pode ser dito da ficção científica, ou da literatura romântica, ou do romance histórico. Em outras palavras, o que falta no cenário literário nacional hoje não é apenas literatura policial, é literatura de gênero como um todo
Lucas Murtinho
11 de abril de 2008
Uma revista com rumo firme e novos horizontes
Em 2008, com a publicação de sua 8ª edição, a ser lançada no próximo dia 17 de abril, a Cadernos de Literatura em Tradução introduz duas mudanças editoriais. Uma delas é a periodicidade, que passa de anual a semestral. A segunda é a introdução de edições temáticas, que serão alternadas com volumes de tema livre
Marina Della Valle, Telma Franco, John Milton
11 de abril de 2008
April in Paris
Em Paris, a beleza brota como uma resposta à opressão do inverno, uma vitória daqueles que sobreviveram, uma ressurreição mitológica revivida a cada ano. A mística em torno do equinócio é profunda, ancestral, dionisíaca. O movimento é patente
Diego Viana
11 de abril de 2008
Soneto a Satã, de Sylvia Plath
No segundo número de nossa seção dedicada à tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle , apresentamos um poema que se encontra entre os primeiros de Sylvia Plath
Ivan Justen Santana
4 de abril de 2008
Criando fama sem cama
É terrível e fascinante sujeitar-se à objetividade de si mesmo. Há volúpia e desânimo em sair de si e olhar-se como um objeto midiático, um produto, uma possibilidade. Posicionar-se em relação aos outros idiotas cheios de som e fúria
Simone Campos
4 de abril de 2008
Cinco aspectos do conto na era virtual
Na internet, a proximidade do escritor com as opiniões dos leitores é tão instantânea quanto a reação deles ao ler cada linha de suas próprias narrações
Renata Miloni
4 de abril de 2008
Personagens de todos nós
Por que a enorme riqueza cultural do Brasil não fez de nós, até hoje, um país de leitores? Retratos da noite memorável em que Chico Buarque, Caetano Veloso, Mia Couto e outros celebraram a obra de Jorge Amado, inspirando a busca de respostas para uma questão que permanece em aberto
Carolina Gutierrez, Marília Arantes
31 de março de 2008
Lêdo Ivo: sorriso aos 80
O que Lêdo Ivo realiza em versos – e também em alguns de seus ensaios – serve de motivação para a crítica, isto é, deve-se analisar a relação entre modernistas e parnasianos em suas contraposições, mas também em suas convergências.
Pedro Marques
29 de março de 2008
Estranho objeto
De súbito, faltou fôlego. Cessou a confusão do batismo cego. Poderia decidir-se por qualquer daqueles nomes, ou qualquer outro; subsistiria o mais terrível dos atributos, sempre. O que trazia nas mãos, nelas teria de seguir.
Diego Viana
29 de março de 2008
Mapeando a cidade invisível
Se a mitologia penetrante e luminosa da Paris de Hemingway não é mais reproduzível, Vila-Matas acaba por conceber um tipo de mitologia pessoal e específica sobre seu romance de estréia.
Marco Polli
29 de março de 2008
Do que disseram
Pedro Du Bois
29 de março de 2008
Alô, Hugo
— É o Hugo, mexicano?
— Não. É o Daniel, brasileiro.
— Mas você fala espanhol? (...) Que estúpida eu sou. Você fala brasileiro, né?
— Também não.
Daniel Cariello
25 de março de 2008
Tentativa de uma defesa desnecessária
Ninguém em sã consciência decide ser escritor para que um dia lhe roubem suas idéias e façam o que quer que seja com elas.
Renata Miloni
14 de março de 2008
A ira de João Gabiru
Antonio Carlos Olivieri
14 de março de 2008
Copa de Literatura: seriedade e bom humor
Lucas Murtinho
14 de março de 2008
Miguel Hernández — A península ultrajada
Preso no ano de 1939, depois da vitória de Franco, Miguel Hernández escreve no cárcere seus poemas mais intensos, frutos da experiência da injustiça, da morte e da ausência.
Marco Catalão
14 de março de 2008
Balthazar
Ao deixar um pouco de lado a trama principal para enveredar por um desses caminhos secundários e quase sempre tortuosos, Durrell revela toda sua competência como ficcionista.
Luiz Paulo Faccioli
7 de março de 2008
O Yeti com maleta executiva
Os grandes mestres compõem um subtexto hitchcockiano, com violinos ao fundo, para o leitor. Eles deixam a dúvida e não a certeza. Em vez de “será que é a pessoa X”, o leitor fica se perguntando “será que essa pessoa existiu ou foi só muito bem-inventada?”.
Simone Campos
7 de março de 2008
Acordados: o caleidoscópio de vidas da metrópole
Marina Della Valle
7 de março de 2008
Rosa de fevereiro
Se os antigos, em pastorais de telas e sinfonias, exultavam de retratar o alívio explosivo das cores a brotar, os modernos têm a ousadia insolente de desmerecer as rosas, reduzidas a atavio.
Diego Viana
7 de março de 2008
Procura-se pão francês
— É o pão do dia-a-dia no Brasil.
— E vocês o chamam de pão francês? Olha, acho que ele não existe na França.
— Quer dizer que temos sido enganados esse tempo todo?
— Lamento te revelar isso assim, de sopetão.
Daniel Cariello
4 de março de 2008
Arquitetura e intolerância na Barcelona medieval
A Catalunha está no auge de sua prosperidade, pois domina o Mediterrâneo. Mas esse poderio comercial não esconde as marcas de uma sociedade profundamente estratificada.
Dida Bessana
29 de fevereiro de 2008
A biblioteca e seu inferno
A exposição nos permite questionar os códigos morais ou o que parece se estabelecer como moralmente aceitável, a partir dessa literatura que vai justamente pesquisá-los, como, por exemplo, o Marcel Proust de Sodoma e Gomorra e o drama dos “invertidos”.
Pablo Simpson
29 de fevereiro de 2008
Cardeais em órbita
Carlos Orsi
29 de fevereiro de 2008
Minhas universidades, de Górki
Para Górki, o bravo homem russo é aquele que vive plenamente o real, que coloca a mão na massa, e que o intelectual nada mais faz que concluir o que, em realidade, o homem que vive plenamente o real já concluiu, passando por dissabores e fazendo, ele mesmo, a História.
Isa Fonseca
29 de fevereiro de 2008
Do processo de organização das idéias
Alguns poderiam dizer que saber toda a história antes de escrever tira toda a graça da escrita. Mas literatura policial é um troço assim. É um artesanato com uma técnica.
Olivia Maia
22 de fevereiro de 2008
Moça de vermelho sabe morrer
Manoel Fernandes Neto
22 de fevereiro de 2008
Os muitos dilemas da literatura policial brasileira
Os detetives Espinosa e Mandrake, aquele mais do que este, são conseqüência de uma necessidade de auto-afirmação que ainda permeia a literatura de entretenimento no Brasil.
Paulo Polzonoff Jr.
22 de fevereiro de 2008
As concubinas do sultão
Percebo que não conheço São Paulo. Acredito que ninguém conheça. Pois a cidade não se deixa conhecer. Como se precisasse esconder o rosto, ela abafa a própria voz natural, uma vibração produzida a cada instante pelo flutuar de seus habitantes.
Diego Viana
22 de fevereiro de 2008
Um outro retrato de Stálin
Os trabalhos do historiador britânico Geoffrey Roberts rejeitam a caricatura do dirigente soviético como um ditador tirânico e incompetente. E enfatizam seu papel decisivo na derrota do nazi-fascismo. Bem como seu esforço para assegurar à Rússia devastada pela Segunda Guerra algumas décadas de paz e segurança
Annie Lacroix-Riz
15 de fevereiro de 2008
Cinco aspectos da arte de citar
Citar é estar de tal forma na literatura que só a própria criatividade não é suficiente, deve-se buscar ferramentas criadas por diferentes autores, desconstruir pensamentos e identificar até migalhas espalhadas que ainda não haviam sido vistas.
Renata Miloni
15 de fevereiro de 2008
Contos do inconsciente
“Freud e o estranho – contos do inconsciente”, mesmo sendo irregular, não deixa de ser interessante. Em primeiro lugar, pela caprichada apresentação do volume, com notas bastante explicativas acompanhando os contos, além de comentários reunidos ao final do volume.
Gregório Dantas
15 de fevereiro de 2008
Ganhando meu pão, de Máximo Górki
De que matéria, afinal, é feita a ficção — Górki parece perguntar — e por que ela o cativa de maneira tão impressionante e, ainda, por que o que é ficcional pode ser tão belo, apropriado, sublime e, por vezes, inapropriado, já que não se cola ao real?
Isa Fonseca
15 de fevereiro de 2008
Palavra 16
Um país de não-leitores
Em 2002, um quarto da população brasileira com mais de 10 anos de idade tinha menos de quatro anos de estudos completos: 32 milhões de analfabetos funcionais. Estatisticamente, o brasileiro não estuda, e quem não estuda não lê
Aqui
A fantástica fábrica de salsichas
O curso de P. E. também realiza visitas guiadas a editoras. Essa, sim, foi a parte mais empolgante do meu treinamento de agente secreta (com licença, sofro de imaginação galopante): me infiltrar no terreno inimigo e desvendar seu modus operandi
Aqui
Sob a luz de Matisse
“O autêntico criador não é apenas um ser dotado, é um homem que soube ordenar em vista de seus fins todo um feixe de atividades, cujo resultado é a obra de arte.” – Henri Matisse
Aqui
Os cheiros da terra
Que a terra na França exale um perfume rústico e irresistível quando chove sobre ela, admito com prazer. Mas empenho minha palavra como não é igual ao que inspirei nesta manhã em Guarulhos e experimentei tantas vezes, em inúmeros recantos do país
Aqui
Rodrigo Gurgel
2 de fevereiro de 2008
Os cheiros da terra
Que a terra na França exale um perfume rústico e irresistível quando chove sobre ela, admito com prazer. Mas empenho minha palavra como não é igual ao que inspirei nesta manhã em Guarulhos e experimentei tantas vezes, em inúmeros recantos do país.
Diego Viana
2 de fevereiro de 2008
Justine
A organização caótica da narrativa passou, em dado momento, a dispersar minha atenção. Chega uma hora em que belas figuras de linguagem e descrições primorosas tornam-se insuficientes para cativar um leitor que preza uma condução mais segura da história.
Luiz Paulo Faccioli
26 de janeiro de 2008
Contos de fadas para adultos
Publicado pela primeira vez em 1960, na Inglaterra, “Beijo”, de Roald Dahl, é formado por onze contos em que prevalece o tom sombrio, com detalhes do cotidiano que, aos poucos, constroem um clima de suspense e terror.
Leandro Oliveira
26 de janeiro de 2008
Cassavas, Anselmo e as grandiosidades
Quando encontro uma literatura feita a partir de certo surrealismo fantástico, ela tende a me agradar muito mais. João Paulo Cuenca mergulha nessa classe com maestria.
Renata Miloni
26 de janeiro de 2008
A Infância de Máximo Górki
É interessante notar a maestria do autor em elaborar ficcionalmente e em detalhes as suas memórias daqueles anos, sem deixar de dar-nos um painel, ainda que muito sutilmente, do modo de viver do russo, do “homem comum”, no século 19.
Isa Fonseca
26 de janeiro de 2008
Moldar o homem
Imagine, quanta identificação, quanta empatia, quando o povo soubesse que o presidente é tão normal, "como todo mundo", que foi até traído pela mulher! Mas, estranhamente, houve pouco mais do que alguns comentários chistosos, nos botecos e nos cartuns, sobre o "reizinho corno". E o assunto morreu.
Diego Viana
18 de janeiro de 2008
Guerra sem vencedores
Com mais de cem mil exemplares vendidos na Espanha, traduzido na Alemanha, França, Itália, Holanda, Sérvia, Israel e Romênia, e às vésperas de ser transformado em filme, "Os girassóis cegos" passou despercebido da grande imprensa.
Dida Bessana
18 de janeiro de 2008
O dilema da literatura policial brasileira
Nenhum escritor está disposto a se colocar como um escritor menor, um mero escritor de literatura de entretenimento. Dos poucos escritores brasileiros de literatura policial, a maioria ainda pretende se colocar uma importância que não deveria ter.
Olivia Maia
18 de janeiro de 2008
Dois poemas de John Donne
A partir deste número, damos início a uma seção de tradução de poesia e prosa em língua inglesa, coordenada pela jornalista e tradutora Marina Della Valle
marina_dellavalle@yahoo.com.br.
Rafael Rocha Daud
18 de janeiro de 2008
Huymans ensaísta
O que caracteriza o conjunto de ensaios de J. K. Huysmans é a alternância entre a militância inicial ao lado da pintura impressionista, dos salões dos independentes ou de vários artistas e o caminho religioso que o faria aproximar-se da pintura de Fra Angelico ou de Mathias Grünewald
Pablo Simpson
12 de janeiro de 2008
O ficcionista das ruas
João Antônio alega ter buscado firmar um compromisso com o leitor brasileiro, o qual procurou conhecer a fundo, a fim de desmistificar a sentença de que “não temos leitores”.
Cristina Betioli Ribeiro
12 de janeiro de 2008
Janet Malcolm e a busca elusiva por Gertrude Stein
Os que conhecem a autora americana Janet Malcolm sabem que não encontrarão em ’Two lives – Gertrude and Alice’, seu último livro, uma biografia no sentido estrito da palavra.
Marina Della Valle
12 de janeiro de 2008
Animais distantes
O escritor é o leitor que acompanha detalhadamente cada passo de um texto e cabe a ele decidir os rumos — mesmo que depois os encontre errados — de sua criação.
Renata Miloni
12 de janeiro de 2008
Um mestre na periferia
Escritor de pedras e livros, inventor de desvairios como os Saraus e a Semana de Arte Moderna da Periferia, Sérgio Vaz fala sobre literatura, talento pessoal, rap&MPB, esquerda. Ele vê as quebradas como "a Palestina brasileira", mas avisa: "Não abrimos mão da dignidade. E nosso palco é merecido"
Danilo Siqueira
24 de dezembro de 2007
Sob o sol, sob a lua... Um Balanço...
Cynthia Cruttenden mobiliza sol e lua para construir um mito quase de fecundação. Keiko Maeo encena a descoberta e o crescimento sensorial do homem.
Pedro Marques
22 de dezembro de 2007
O homem na multidão
Sem colocar seu detetive no divã, Garcia-Roza conseguiu, de livro a livro, criar uma figura carismática capaz de comportar questões graves de maneira bastante verossímil.
Gregório Dantas
22 de dezembro de 2007
O artelho de Aquiles
Há tradutores por aí que, por falta de humildade ou excesso de preguiça, recusam-se a abrir qualquer dicionário. Mesmo os eletrônicos. Eles sabem tudo, e o que não sabem, podem adivinhar. Ou inventar.
Simone Campos
22 de dezembro de 2007
Sobre símbolos e eras
São os orientais, hoje, que não respeitam nada do que já há; pensam no que ainda haverá, e interpretam o presente como mera matéria-prima, tão bruta e maleável como a areia da praia.
Diego Viana
22 de dezembro de 2007
Antonio Porchia — os limites da literatura
A escassez da obra de Porchia é uma decorrência natural, necessária, da sua capacidade de condensação: uma única voz parece requerer uma eternidade de silêncio e meditação.
Marco Catalão
22 de dezembro de 2007
Em nome da harmonia
Assim Assis Brasil se mostrou em seu romance: mantendo um ritmo sensatamente emocionante do começo ao fim, com a honesta prioridade não de impactar, mas de ser fiel ao texto, ao tom de narração escolhido.
Renata Miloni
15 de dezembro de 2007
A noite dos viúvos
David Oscar Vaz
15 de dezembro de 2007
Poemas
Cristina Betioli Ribeiro
15 de dezembro de 2007
A literatura que vem da Ásia
Que o leitor mais exigente não se engane: há, em tais best-sellers, algo que cativa e que aparece justificado num fazer literário que, não sendo fruto da mente de gênios da literatura, ainda assim, tem o seu lugar.
Isa Fonseca
15 de dezembro de 2007
Os escritores malditos do Vietnã
Numa sociedade esgotada ideologicamente e marcada pela força crescente do dinheiro, eles buscam um sentido para a vida falando de sexo e transgressão — e difundindo suas obras via internet ou em cópias píratas
Jean-Claude Pomonti
12 de dezembro de 2007
Eu ficava ali, chamando Deus
"As provas da existência do inimigo interior são imensas e as de seu poder esmagadoras. Creio no inimigo porque, todos os dias e todas as noites, eu o encontro em meu caminho. O inimigo é aquele que, do interior, destrói o que vale a pena. É aquele que lhe mostra a decrepitude contida em cada realidade."
Amélie Nothomb, Cosmética do inimigo
Saint-Clair Stockler
7 de dezembro de 2007
Leda e o lugar da literatura
Ao dar o título do seu livro a uma personagem obscura e que pouco aparece na narrativa, o autor sugere uma visão sobre o lugar que a literatura possui nos dias de hoje.
Marco Polli
7 de dezembro de 2007
Ambição total
Para um escritor com ambição total, a busca por todos os leitores possíveis não implica condescendência ou simplificação; ao contrário, ela implica excelência e versatilidade
Lucas Murtinho
7 de dezembro de 2007
Individualidade e história
No romance Uma questão de loucura, Ismail Kadaré empresta ao narrador aguda capacidade de observação e de fantasia, para recuperar, como em outras obras, a história da Albânia
Dida Bessana
7 de dezembro de 2007
A voz distante
Nos poemas aqui traduzidos, inéditos no Brasil, Yves Bonnefoy fala de um eterno renascer, contra os desígnios da morte e do esquecimento.
Pablo Simpson
30 de novembro de 2007
Wordsworth e o retrato do poeta quando jovem
A edição bilíngüe de "O olho imóvel pela força da harmonia", seleção de poemas de Wordsworth, traz, pela primeira vez em português, trechos do prefácio ao livro Lyrical ballads, volume escrito por Wordsworth e Coleridge, considerado um marco do Romantismo nas letras inglesas
Marina Della Valle
30 de novembro de 2007
Cento e sessenta homens parrudos
Nem o mais aloprado dos econometristas haverá de encontrar traços de eficiência no ato de mandar cento e sessenta policiais (escrevo por extenso para aumentar o impacto) para combater uma pequena, digo mais, minúscula greve de estudantes.
Diego Viana
30 de novembro de 2007
De Drácula a Philip Marlowe
Até que ponto é possível reduzir o gênero policial a um punhado de características?
Olivia Maia
30 de novembro de 2007
Palavra 8
Entre o romantismo e a modernidade
Em contraste com a sintaxe e o léxico sonoros e altissonantes das obras de Espronceda e Zorilla, os poemas de Bécquer apresentam uma linguagem depurada e concisa
Aqui
Dois poemas
Aqui
Sabores, cheiros e cores
"O homem tinha (eu achava) cara mesmo de pescador: faces descarnadas, secas de sol, a barba cinzenta e rala encompridando o bigodão. Enfiados nos braços, os cestos de vime: gingando no passo dele, tampas saltando, os peixes querendo fugir, voltar ao Guaíba, ao Taquari – nadar"
Aqui
A essência esquecida
Se o crítico é o maior defensor da literatura, ele tem o dever de saber que o melhor livro já escrito não vai cair em suas mãos nesta vida.
Aqui
Rodrigo Gurgel
23 de novembro de 2007
A dor e a delícia de ser negro
Dia da Consciência Negra desencadeia, em São Paulo, semana completa de manifestações artísticas. Nosso roteiro destaca parte da programação, que se repete em muitas outras cidades e volta a realçar emergência, diversidade e brilho da cultura periférica
Eleilson Leite
19 de novembro de 2007
Três canções
Marco Catalão
17 de novembro de 2007
Onde mora a poesia
Invariavelmente realizados em botecos, os saraus da periferia são despojados de requintes. Mas são muito rigorosos quanto aos rituais de pertencimento e ao acolhimento. Enganam-se aqueles que vêem esses encontros como algo furtivo e desprovido de rigores
Eleilson Leite
13 de novembro de 2007
Palavra 6
O perfeito bibliotecário
Aqui
Sutilezas entre ocultar e dizer
Aqui
Percepção de méritos
Quem julga um texto pela personalidade do escritor é incapaz de construir um argumento para sustentar boas idéias.
Aqui
Clarice Lispector: uma escrita indigesta
Em Clarice, os traços convencionais da narrativa são refundidos numa escrita não raro dura de roer, principalmente para leitores desabituados aos fluxos de consciência, às tramas pouco lineares, a espaços fragmentários, às fusões entre narrador e objetos descritos, à mistura de gêneros.
Aqui
Rodrigo Gurgel
10 de novembro de 2007
Todos os dias da Semana
Programação completa da Semana de Arte Moderna da Periferia
Eleilson Leite
2 de novembro de 2007
O biscoito fino das quebradas
Semana de Arte Moderna da Periferia começa dia 4, em São Paulo. Programa desmente estereótipos que reduzem favela a violência, e revela produção cultural refinada, não-panfletária, capaz questionar a injustiça com a arma aguda da criação
Eleilson Leite
2 de novembro de 2007
Projeto de sufocação
É exatamente isso que também faz do grande escritor um grande leitor. Acredito ser o espírito da profissão: a busca pelo conhecimento infindável da língua, para que a pessoa possa se expressar de todas as formas possíveis e atingir as improváveis.
Renata Miloni
27 de outubro de 2007
Literatura de pai para filho
Mais do que uma história de filho doente, O filho eterno é uma bela reflexão sobre a paternidade, sobre ser escritor e sobre o momento político conturbado dos anos 1980
Leandro Oliveira
19 de outubro de 2007
Dos reencontros
para a Dri
Ricardo Miyake
19 de outubro de 2007
Clarice fala com amigos
São 42 pequenas entrevistas. Profundas, às vezes. Deliciosas, sempre. Fui direto às minhas predileções e curiosidades.
André Resende
19 de outubro de 2007
E Paris mudou de cara
Estrangeiro em tudo e todos. O autor incursiona pelo encanto sombrio da Cidade Luz, onde seus sentimentos mesclam-se de forma sinestésica e paradoxal entre o medo e o fascínio diante da outra face de Paris
Diego Viana
19 de outubro de 2007
Manifesto da Antropofagia Periférica
Sérgio Vaz
17 de outubro de 2007
Uma África truculenta e fantástica
Em “Memórias de Porco-Espinho”, Alain Mabanckou parodia a lenda de que cada Homem tem seu respectivo duplo animal. Um Porco-Espinho protagoniza como uma espécie de alter ego do jovem Kibandi, que concretiza seu prazer mórbido por meio da pungência desse duplo
Claude Wauthier
15 de outubro de 2007
No Haiti, em busca da água da vida
“A experiência é o bastão dos cegos, e aprendi que o que conta é a rebelião, e o conhecimento de que o homem é o padeiro da vida. Ah, a nós, é a vida que nos petrifica. Porque vocês são uma massa resignada, é isso que vocês são”
Karine Alvarez
15 de outubro de 2007
Primeira vez
O editor da seção anuncia: “a cada semana, uma nova edição, para reverenciar a literatura – ou, antes dela, a Palavra”
Rodrigo Gurgel
6 de outubro de 2007
Sylvia Plath e A Redoma de vidro
Isa Fonseca analisa autora norte-americana que se suicidou em 1962, aos 31 anos, semanas após escrever um dos grandes romances século 20
Isa Fonseca
5 de outubro de 2007
Um brinde no Largo do Arouche
"No rádio, tocou Sampa, justamente quando eu cruzava a esquina da São João. Nenhuma coisa aconteceu no meu coração"
Antonio Carlos Olivieri
5 de outubro de 2007
As mulheres do Irã dão notícias
Comme tous les après-midi [Como a cada tarde] e On s’y fera [A gente se acostuma], adentram num mundo que parece tão oculto: o iraniano.
Nesses livros, a autora Zoyâ Pirzâd - talvez uma espécie de Clarice Lispector iraniana - perscruta o universo feminino de maneira despojada
Violaine Ripoll
6 de setembro de 2007
Sadismo rima com capitalismo
Uma provocação: e se "Os 120 dias de Sodoma", de Sade, forem uma metáfora da racionalidade, dessensibilização, hierarquia e prazeres impossíveis que caracterizam as sociedades dominadas por mercados?
Patrick Vassort
8 de agosto de 2007
Dos Vedas ao Kama Sutra
Nascidas das louvações a Deus, em idioma sagrado, as literaturas indianas compõem uma tradição marcada pela diversidade de gêneros; por temáticas que vão do casto ao heróico e ao profano; pelo desejo, desde Buda, de fazer arte nas múltiplas línguas faladas pelo povo
Tirthankar Chanda
22 de março de 2007
A descoberta das literaturas indianas
Cada vez mais conhecidos no Ocidente, os escritores indianos contemporâneos são homenageados no Salão do Livro de Paris. Vale conhecer a tradição literária milenar de que fazem parte: um universo vibrante em que sobressaem crítica social, erotismo e transgressão
Tirthankar Chanda
22 de março de 2007
O novo despertar do Vietnã
Lutando contra traumas de duas guerras, o país atrai investimentos, cria pólos de alta tecnologia e influi nos rumos Sudeste Asiático. Uma abertura cultural vai deixando para trás o "realismo socialista". O PC procura uma modernização na qual mantenha o controle do poder
Jean-Claude Pomonti
12 de fevereiro de 2007
Elogio da pequena edição
Movidas pelo amor à literatura e empenhadas em oferecer diversidade, as editoras não-comerciais têm prosperado. Mas não dever haver ilusões: para que esta aventura prossiga, é preciso salvá-las do mundo das selvas e dos predadores
Pierre Jourde
16 de janeiro de 2007
Lá na minha terrra
Poderia ter sido na Palestina, mas também em muitos países da África ou da Ásia. Onde as brincadeiras acabaram e as crianças, como os adultos, vivem a guerra. Mas nem o medo, nem a dor, conseguiram matar a esperança. Um conto do escritor John Berger
John Berger
21 de dezembro de 2006
Uma dívida da democracia
Por que o esclarecimento das ações de extermínio desencadeadas pelo regime franquista é essencial para que a Espanha se reencontre consigo mesma
Ixchel Delaporte
21 de dezembro de 2006
Quatro romances contra o esquecimento
Setenta anos após a eclosão da guerra civil espanhola, a literatura volta a resgatar a saga dos que foram derrotados por terem cometido "o crime imperdoável de estar adiante"
Anne Mathieu
21 de dezembro de 2006
O último imigrante
Que se passará com sociedade, cultura, arte e ciência na França, quando já não restarem árabes. Fábula inédita de Tahar Bem Jelloun
Tahar Ben Jelloun
1º de agosto de 2006
Guy Debord, o irrecuperável
Lançada, na França, a obra completa do autor que dissecou a “Sociedade do Espetáculo”. Da crítica da arte à análise política, textos revelam pensamento que, ao destacar o caráter alienador do capitalismo, defendia o direito do ser humano a inventar sua própria vida
Guy Scarpetta
1º de agosto de 2006
Elogio do romance
A humanidade triunfará. Ela o fará porque, apesar dos acidentes da história, o romance nos diz que a arte nos restaura a vida, a vida que a história, em sua precipitação, desprezou
Carlos Fuentes
1º de dezembro de 2005
A palavra disfarçada em carne
Eu não faço jorrar sangue, apenas palavras. Mas quem tem necessidade delas, por mais que se esforcem para ser contemporâneos, quem tem necessidade delas?
Elfriede Jelinek
1º de dezembro de 2004
A escandalosa de Viena recompensada
A escritora desprezada pela mídia e pela direita liberal-conservadora austríaca recebe o Nobel de literatura, com uma obra que põe o dedo nas feridas de seu país
Brigitte Pätzold
1º de dezembro de 2004
Realidade à procura de ficção
As aventuras literárias nos colocam diante da questão crucial: como pensar a forma de totalitarismo nova que se sente apontar, ao mesmo tempo que a liberdade parece ser o paradigma supremo
Jean Christophe Rufin
1º de setembro de 2004
Na terra da estepe cinzenta
A Mongólia xamânica está no coração do tempo presente e vive também os abalos e mudanças que determinam nossa existência no planeta. A velocidade crescente e tudo o que a acompanha a inunda cada vez mais
Galsan Tschinag
1º de agosto de 2004
Crimes e redenção no Brasil de Lula
`Hotel Brasil’ (Editora Ática, 276 páginas, 1999, 26 reais), romance onde Frei Betto, animador político da Teologia da Libertação, que fermentou as Pastorais, viveiro de dirigentes políticos como Lula e João Pedro Stédile, do MST, apresenta suas idéias sobre o Brasil nesta narrativa policial clássica
Ramón Chao
1º de agosto de 2004
Sobre a dificuldade de comunicar
Ao receber o Prêmio Nobel da Literatura, o escritor sul-africano John Cotzee contou uma enigmática história que, na verdade, é uma metáfora que evoca o mistério da inspiração e da relação entre o escritor (ou o escriba?) com o narrador da escrita
Laure-Elisabeth Lorent
1º de julho de 2004
Ele e seu homem
“Mas, para retornar a meu novo companheiro. Eu estava extremamente deleitado com ele, e transformei em meu negócio a tarefa de ensinar-lhe tudo que era apropriado, acessível, e útil; mas especialmente, fazê-lo falar e compreender o que eu falo; e ele era o mais apto aluno, como jamais houve”.
Daniel Defoe, Robinson Crusoe
J.M. Coetzee
1º de julho de 2004
A ditadura da world litterature
O que vale, na nova orientação do mercado editorial, não é conteúdo, cultura ou valor artístico, e sim a capacidade de um autor ? às vezes de um só livro ? de se impor comercialmente nas áreas lingüísticas mais rentáveis
Pierre Lepape
1º de março de 2004
Cortázar: o Che Guevara da literatura
Túmulo do escritor argentino em Paris, morto há 20 anos, é palco de discreta peregrinação que homenageia o lúdico e engajado defensor da ligação não dogmática entre literatura e revolução
José Manuel Fajardo
1º de fevereiro de 2004
O orgulho dos palestinos
Nossa história cultural jamais conheceu um gênio comparável a Edward Said, tão múltiplo, tão singular
Mahmoud Darwish
1º de novembro de 2003
Quando a revolução devora seus filhos
A escritora britânica Doris Lessing nasceu em 1919 e instalou-se com seus pais na Rodésia do Sul (atual Zimbábue) aos 6 anos de idade. Identificada como a militante feminista que abalou as idéias conservadoras com seu romance ’cult Carnet d’or’ (Carnê dourado), foi também uma combatente heróica contra as injustiças, o colonialismo e o ’apartheid’. Hoje, aos 84 anos, Lessing não hesita em falar sobre suas decepções com o feminismo, mas também com os dirigentes do Zimbábue, pois lutou muito em prol da independência desse país. Traça aqui um retrato acusador contra o controvertido presidente Robert Mugabe. Trata-se de um autocrata que mandou prender seu principal oponente, Morgan Tsvangirai, antes de ser obrigado a libertá-lo. Mas sua política é também marcada pelas pressões econômicas e políticas das potências internacionais.
Doris Lessing
1º de agosto de 2003
A noite do eclipse
Há muitos anos o célebre escritor colombiano vem se dedicando a suas memórias, cujo primeiro volume sairá na França em outubro. Nesse meio tempo, ele escreveu uma série de seis contos que podem ser lidos de maneira independente, sem ligação entre si. Com título «En agosto nos vemos», também podem ser fruidos em ordem, com a continuidade dramática de uma novela. Este é o terceiro da série
Gabriel Garcia Marquez
1º de agosto de 2003
Itinerário de um escritor engajado
Uma biografia, baseada em parte em relatórios do FBI, conta a história do primeiro militante anti-racista e romancista negro norte-americano, Richard Wright (1908-1960), que denunciou em seus romances a pobreza, a violência e o preconceito
Shofield Coryell
1º de agosto de 2003
As guerras de Kapuscinsky
Autor de obras marcantes, como ’Imperium’ e ’Ebano’1 , novo livro do famoso jornalista polonês narra a incrível e ridícula guerra entre Honduras e El Salvador causada pelos tumultos ocorridos durante as eliminatórias da Copa do Mundo, em 1969
Claude Wauthier
1º de julho de 2003
Pulsão de morte
“Toda a cidade de Tetelmünde estava em chamas; uma tocha grandiosa, iluminada pelo furor ancestral dos obcecados, nos quais, inesperado, exigindo seus direitos, renascia o principal instinto do homem: a destruição.”
Valerio Evangelisti
1º de maio de 2003
Os jogos do exílio e do acaso
O tecido temático do romance reflete toda a obra de Kundera, que tem a coerência de um grande romance. A proeza é ter condensado toda esta riqueza temática em menos de duzentas páginas. Raramente a arte do romance atingiu tal densidade
Guy Scarpetta
1º de maio de 2003
Paris, a vermelha
Afastando-se dos clichês turísticos, o autor de ’A invenção de París’ faz um trabalho de erudição histórica surpreendente e aborda uma cidade de escritores e rebeliões, que guarda lugares onde se condensa uma memória ao mesmo tempo insurrecional e poética
Guy Scarpetta
1º de maio de 2003
Um naufrágio esquecido
A principal preocupação do escritor Günter Grass é com a releitura acrítica do nacional-socialismo pelas jovens gerações que, após quatro décadas de República Democrática Alemã, não se deixaram influenciar pelo antifascismo comunista
Dominique Vidal
1º de fevereiro de 2003
Sobre o Oriente e o Ocidente
Três escritores – um italiano, um paquistanês e um libanês – discutem e analisam, em três livros distintos, os “mistérios” que separam as civilizações oriental e ocidental, dos “misticismos” islâmicos à “modernidade” do neoliberalismo global
Gilbert Achcar
1º de novembro de 2002
A celebração da blasfêmia
Baseando-se em uma farsa anticlerical do século XVI, Goytisolo transporta para o século XX um frade devasso que narra suas façanhas (sobretudo homossexuais) e detalha suas luxúrias, pervertendo o breviário da Opus Dei, Caminho – escrito por Escrivá de Balaguer
Guy Scarpetta
1º de novembro de 2002
A redenção da “raça operária”
Em seu romance ’Travail’, Emile Zola expõe, numa narrativa sobre o movimento operário do final do século XIX, sua genialidade e suas contradições, oscilando entre uma admiração reverente por Fourier e o determinismo brutal do capitalismo incipiente
Alain Morice
1º de outubro de 2002
Contestação e diversidade
Os melhores antídotos contra o antiamericanismo são justamente os textos de inúmeros escritores norte-americanos, que defendem uma certa idéia dos Estados Unidos e de seus valores contra aqueles que representam e ilustram seus governantes
Gilbert Achcar
1º de setembro de 2002
As atribulações de um camponês
Le Monde diplomatique publica, nesta edição, um conto inédito do escritor chinês Xu Xing. Trata-se da história de um jovem camponês que, chegando à cidade, vê-se frente a frente com o mundo insólito do capitalismo selvagem
Xu Xing
1º de agosto de 2002
O fantástico boom indiano
Depois de Tagore, Narayan e Raja Rao, hoje considerados clássicos, sempre houve escritores indianos nos catálogos dos editores de língua inglesa. Mas, nos dois últimos anos, houve um autêntico boom. Quais seriam as razões desse sucesso?
Pierre Lepape
1º de agosto de 2002
A miséria das velhas glórias
O escritor visita a ex-Riviera britânica, cidades que já foram símbolo da aristocracia vitoriana. Hoje, tragadas pelo mar, são meras sombras do que foram. Com caçadas ao homem, drogas e álcool, as pessoas tentam driblar o tédio, auto-destruindo-se
Charlotte Kan
1º de agosto de 2002
A ira dos deuses
Livro de escritor angolano é uma deliciosa sátira social, crítica da corrupção e da indiferença de uma elite que virou as costas ao seu povo
Augusta Conchiglia
1º de julho de 2002
Edward Said, arqueólogo de si mesmo
Em ’Out of Place’, autor mostra por que é, além de um grande erudito, rebelde e estrangeiro em qualquer parte
Gilles Perrault
1º de maio de 2002
América de tiranos e déspotas
Uma retrospectiva do romance político latino-americano
Ramón Chao
1º de maio de 2002
A erradicação do território
A guerra, na Palestina, não é feita apenas contra a população, mas contra o território. A destruição vista pela delegação de escritores que visitou a região, em março deste ano, ganhou este relato emocionante de Christian Salmon. Na mesma delegação, foram Russel Banks (Estados Unidos), Bei Dao (China), Breyten Breytenbach (África do Sul), Vincenzo Consolo (Itália), Juan Goytisolo (Espanha), José Saramago (Portugal) e Wole Soyinka (Nigéria)
Christian Salmon
1º de maio de 2002
Um romancista excepcional
Em Mario Vargas Llosa coabitam o panfletário neoliberal, presunçoso e medíocre, e um romancista com a veia de Flaubert e de Faulkner, que se lembra de ter sido, por muito tempo, marxista – e até castrista – e que fascina os seus leitores
Ignacio Ramonet
1º de maio de 2002
Nos porões
A festa do Bode, de Mario Vargas Llosa (trecho)
1º de maio de 2002
Quando a morte vem do céu
Do nascimento à utilização das bombas, ontem, como hoje... sempre contra os “selvagens”. Em Maintenant, tu es mort, um ensaio bastante original, o romancista sueco Sven Lindqvist reconstitui, na forma de artigos curtos, a história dos bombardeios, do qual publicamos alguns trechos
Sven Lindqvist
1º de março de 2002
O enigma da execução perdida
O livro é apresentado como uma pesquisa, a partir de um fato real. O fato refere-se a Rafael Sánchez Mazas, fundador, com José Antonio Primo de Rivera, da Falange (partido fascista espanhol) e pai do grande romancista Rafael Sánchez Ferlosio
Ramón Chao
1º de janeiro de 2002
Uma nova busca do Graal
Que poção mágica estimula tanto a fascinação por Harry Potter? É bom saber que essas aventuras não são apenas um “melting pot” de bruxos, caldeirões e sortilégios, mas respondem a algumas das preocupações de seu público-alvo, a faixa de 11 a 14 anos
Serge Tisseron
1º de dezembro de 2001
Um Nobel para um renegado
Naipaul identifica-se completamente com os valores britânicos, como se renegasse seu percurso e tivesse rompido todas as ligações com seu passado – nasceu em Trinidad, em 1932, numa família indiana imigrante, de alta casta, mas pobre
Pascale Casanova
1º de dezembro de 2001
Revolucionários esquecidos
Os “doze revolucionários sem revolução possível”, ressuscitados por Paco Ignacio Taïbo, levaram uma vida louca, e muitas vezes trágica, não recuando diante da violência em seu desejo místico de mudar o mundo
Ramón Chao
1º de dezembro de 2001
Viagem ao pesadelo
da biotecnologia
Romance inglês apresenta uma sociedade futura divida entre os que têm acesso à Saúde e os condenados à morte pela doença. Um acaso leva o cientista que criou o apartheid a unir-se à gentalha
Evelyne Pieiller
12 de abril de 2000
Um romance sobre a
revolução portuguesa
Sai na França novo livro do romancista luso Lobo Antunes, genial porém pouco conhecido no Brasil
12 de março de 2000
Três olhares sobre a
Irlanda do Norte
Michel Savaric
12 de março de 2000
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