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março 2000

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EQUADOR: O DESFECHO DA CRISE

De que lado estão os militares?

Um grupo de oficiais desgarrados apoiou os movimentos populares. Informada, a cúpula do Exército usou a crise para derrubar o presidente e se reaproximar dos EUA e dos políticos

Maurice Lemoine

21 de janeiro de 2000: foi com a ajuda de um punhado de jovens militares marginalizados, liderados pelo coronel Lucio Gutiérrez, que uma multidão de índios da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) invadiu o Congresso em Quito. Evocava-se abertamente, desde julho de 1999, num país assolado pela crise econômica e prejudicado pela corrupção, a destituição do presidente Jamil Mahuad. Sua demissão era defendida tanto pela Esquerda Democrática, partido do antigo presidente Rodrigo Borja, quanto por Jaime Nebott, chefe do bastante conservador Partido Social Cristão e, de um outro ponto de vista, pelos movimentos popular e indígena.

O anúncio da dolarização, em 9 de janeiro, precipitou os acontecimentos. Nesse dia, a Frente Patriótica (FP), agrupamento de diversos setores sociais, anunciou uma greve nacional. Desde 11 de janeiro, o Parlamento Nacional dos Povos do Equador (PNPE), dirigido por monsenhor Alberto Lunas, arcebispo de Cuenca e por Antonio Vargas, presidente da Conaie, reuniu-se permanentemente.

Foi esse PNPE que, na manhã de 21 de janeiro, nomeou uma Junta de Salvação Nacional, triunvirato cívico-militar composto pelo coronel Gutiérrez, por Antonio Vargas e Carlos Solarzano, antigo presidente da Corte Suprema. As coisas começaram a se complicar, sem que se percebesse, quando, ao final de uma reunião a portas fechadas, o coronel Gutiérrez cedeu seu lugar na Junta ao Ministro da Defesa, general Carlos Mendoza. Foi esse último que, três horas mais tarde, abandonou surpreendentemente a Junta, dando poder ao vice-presidente Gustavo Noboa.

A estratégia da cúpula militar

O alto comando não ignorava que, desde o fim de novembro de 1999, um certo número de jovens coronéis, cansados da negligência política, havia tomado contato com a Conaie. A hierarquia militar não apenas deixou andar como levou os jovens coronéis a planejar a queda do presidente Mahuad. Este cometeu a imprudência de anunciar uma redução do orçamento militar. Ainda por cima, teria proposto ao exército ajudá-lo a realizar um fujimorazo, auto-golpe de Estado à peruana, que lhe permitiria concentrar os poderes para fazer passar sua política econômica e financeira.Tal operação não deixaria de indispor os Estados Unidos. O exército equatoriano espera tirar muito deste poderoso parceiro, que deseja treiná-lo em sua estratégia de contenção das guerrilhas colombianas. [1]

Ao permitir que a esfera "revolucionária" derrubasse o presidente, e ao reassumir o controle da situação, o alto comando matou dois coelhos com uma só cajadada. Eliminou o presidente e se conciliou com a classe política e com Washington. Enquanto num primeiro momento os Estados Unidos haviam condenado o golpe em nome do "respeito sagrado à democracia", em seguida reconheceram imediatamente o novo presidente, Gustavo Noboa — que, por mais que se diga, é produto de um golpe de Estado. Uma vez eliminado o triunvirato progressista, Noboa apressou-se em anunciar a continuação de uma política econômica que permanece exatamente a mesma. [2]

Traduzido por Denise Lotito.



[1] Enrique Vigil, "Le grand retour de Washington" e Pascal Drouhaud, "Apres négociations en Colombie", Manière de voir, n° 49, jan.-fev. de 2000.

[2] Site do Le Monde Diplomatique (www.monde-diplomatique.fr), dossiê "Poker menteur en Equateur".


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