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maio 2000

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EDITORIAL

Um mundo norte-americano

Ignacio Ramonet

E como poderiam eles deixar de fascinar? Para seduzir corações e mentes, os Estados Unidos da América do Norte dispõem de formidáveis e cobiçáveis trunfos. De saída, eles se apresentam no plano político com o simpático rosto de uma velha democracia acolhedora, herdeira de uma revolução de dimensões universais e de uma rica cultura. Seu mais célebre símbolo — a Liberdade iluminando o mundo — continua representando, para milhões de oprimidos do planeta, uma significativa mensagem de esperança e a promessa de uma vida melhor. Vitoriosos na guerra fria, os Estados Unidos ainda conquistaram a guerra do Golfo e ganharam a do Kosovo. Em nome de princípios humanitários. E sempre contra regimes autoritários e ditaduras malvadas. No topo de sua glória militar — e agora também a única superpotência — dominam tranquilamente o mundo como jamais outro país o fez.

Além do mais, a duração sem precedentes do seu atual ciclo de crescimento parece confirmar que, decididamente, Deus é norte-americano. Não foram eles que inventaram a Internet? Não foram eles que criaram a nova economia? E não são eles que conduzem a globalização?

O seu modelo é adaptado e adotado por toda a parte. Seus métodos de gerenciamento, seus dispositivos jurídicos, suas técnicas comerciais, seus conselhos na área de comunicação e, é claro, suas paixões, suas stars e seus mitos. Em todos os setores da sociedade, empresas norte-americanas — da Microsoft à Yahoo, de Walt Disney à Monsanto — repercutem seus êxitos fascinantes. E, graças a habilidosas iniciativas publicitárias, também reconquistam o mundo.

Embora não seja do agrado dos filoamericanos carolas, não há nada de anormal em que aqui e ali — e, em primeiro lugar nos próprios Estados Unidos (como se viu em Seattle, no mês de dezembro de 1999, e agora recentemente em Washington) — cidadãos questionem o sentido desta reconquista. O sentido da nova fisionomia do império norte-americano. A sua força ideológica. E suas estratégias de persuasão.

Leia mais sobre o tema, nesta mesma edição:

Dominar corações e mentes A nova bíblia de Tio Sam A resistível ascensão de Ronald McDonald O imperialismo da virtude Fascinantes business schools A palavra supérflua Filo-americanos à beira de um ataque de nervos A língua "dolarizada"

Traduzido por Jô Amado




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