Jornalismo Crítico | Equipe | Copyleft | Contato | Escreva | Edição Impressa | Assinaturas
Uma iniciativa


Já nas bancas



Reflexões sobre o consumo responsável
Resenha | Comprar

Edições anteriores

Alternativas ao aquecimento global
Resenha | Comprar

Caminhos para uma comunicação democrática
Índice | Comprar

A disputa pelo ouro azul
Índice | Comprar

Alca: o jogo duro do império
Índice | Comprar

outubro 2000

imprima
CINEMA

Lumumba, a história de um complô

Sob a proteção de soldados da ONU, Lumumba seria entregue a seus inimigos e deportado para Katanga, onde Moisés Tchombé, a soldo de companhias mineradoras européias, o mandaria assassinar. O nome de Lumumba seria apagado da história

Philippe Lafosse

Final da década de 50, onde ainda se chamava Congo Belga, o colonialismo vivia seus últimos estertores. Um ex-empregado dos correios, Patrice Lumumba, é particularmente incômodo para as autoridades: orador de talento e independentista convicto, ele atrai cada vez mais partidários. Em 1958, cria o Movimento Nacional Congolês (MNC), primeiro partido formado numa base nacional, e não étnica. Com 36 anos, Lumumba é preso. Trancafiado numa cela, onde os carcereiros o maltratavam, ele é de repente retirado e conduzido a Bruxelas, para participar da mesa-redonda que iria definir as condições de passagem à independência. Na realidade, após as revoltas de Leopoldville (Kinshasa), o jovem rei Balduíno queria pôr fim a 80 anos de dominação belga.

Após a vitória do MNC nas eleições legislativas, a independência do Congo foi proclamada, em 30 de junho de 1960, na presença do rei Balduíno. Findas as festividades, logo se sucederiam conspirações, traições e manobras estrangeiras. Com uma fé a toda prova, Patrice Lumumba se batia por uma independência sem concessões ao tribalismo, aos interesses das mineradoras e às ingerências externas. Seria deposto por dois amigos seus, Joseph Kasavubu, que se tornaria presidente da República, e Joseph-Désiré Mobutu, que se proclamou comandante-em-chefe das forças armadas e se tornaria mais tarde ditador do Zaire.

A história das independências

Detido sob a proteção dos soldados das Nações Unidas, Lumumba acabaria sendo entregue a seus inimigos e deportado para a província de Katanga, onde o líder local, Moisés Tchombé, a soldo de companhias mineradoras européias, o mandou assassinar juntamente com dois de seus companheiros. O nome de Lumumba seria apagado da história.

Para quem conhece pouco a história dos movimentos independentistas africanos, o filme de ficção Lumumba, de Raoul Pecq, traz valiosos esclarecimentos. Contribui também para explicar os desafios atuais, mostrando que se os acontecimentos e tragédias que afetam o continente negro parecem por vezes incompreensíveis, é porque a África foi e continua sendo o campo de batalha das grandes potências que se lançam em guerras por lucros, enlouquecidas e inescrupulosas, por Estados e pessoas interpostas.

A sombra de Mobutu

Ex-ministro da cultura do Haiti, após a saída dos militares golpistas que derrubaram o presidente Jean-Bertrand Aristide, Raoul Pecq prolonga aqui suas reflexões sobre os destinos políticos. No entanto, este projeto louvável peca por uma vontade exagerada em erigir um monumento hagiográfico em glória a Patrice Lumumba, "herói trágico" e legendário. O roteiro, que nem sempre evita a armadilha de um romantismo fácil, opta — correndo o risco de provocar um sentimento de asfixia — por uma sucessão de cenas significativas, numa demonstração inelutável. Além do mais, falta incontestavelmente à realização do filme sobriedade.

Paradoxalmente, ao final deste afresco com toques de thriller hollywoodiano, não é tanto a onipresença de Lumumba que impressiona, mas um papel secundário que se percebe vez por outra: um homem lacônico, reservado, de uma inquietante delicadeza, e que sentimos na espera, como uma fera à caça: Joseph-Désiré Mobutu...

Traduzido por Gustavo Maia Junior.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BIBLIOTECA LMD

» por tema
» por país
» por autor

BOLETIM


digite seu endereço internet e receba nosso boletim

Caderno Brasil

» Palavra 48
» Explicando o verão francês
» Palavra 47
» O vazio
» Ignacy Sachs propõe Outra Amazônia
» Amazônia – laboratório das biocivilizações do futuro
» A nova arte da Cooperifa
» Palavra 46
» Reflexões de outubro
» A leitura na vida e na morte do Che
» Para uma retomada da razão no mundo árabe-islâmico
» Nada será como antes
» Todo mundo é natal
» Techies e gambiarras
» A força e o peso do que não está
» Sartre em si
» Palavra 45
» Para compreender a crise financeira
» Viagem com o Submarino Vermelho
» Mundo pós-americano
Mais textos


Blog da redação

» Enfim, a Carta!
» Salada Mista
» Somos um e múltiplos
» Ignacy Sachs debate a Amazônia
» Dois olhos, dois ouvidos e uma boca só: Fórum revive a função social da reportagem

Nesta edição

» O euro, o petróleo e os neoliberais
» Uma integração pela força
» Interesses divergentes
» Uma estrutura complexa
» Este estranho culto à Internet
» A necessidade da utopia
» Os novos modelos do capitalismo
» Uma revolução tranqüila
» O papel civilizatório da esquerda
» Emprego: a curto ou longo prazo?
» "O Iraque pagará!"
» Uma Comissão influenciada
» Quem lê os relatórios?
» As origens da extrema-direita
» Enfrentando o neonazismo
» Por eleições democráticas e transparentes
» Balanço positivo no primeiro teste
» A polícia vai à escola
» As armadilhas do neoliberalismo
» O golpe que a CIA patrocinou
» A escalada da crise
» O que é o nacional-socialismo?
» O filósofo e o nazismo
» Roger Pic, memória do século
» Contra os imperialismos
» O Mal radical

Veja também

» Outras edições