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maio 2001

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MULHERES / ÍNDIA

Tochas ardentes

"São recebidas, aqui, mais de 1.800 mulheres queimadas por ano", declara o professor Gurumurthy, que atende na sala de operação. Muitas delas chegam em macas, em farrapos ou em carne viva. Contorcendo-se em dores silenciosas ou gritantes

Roland-Pierre Paringaux

Diariamente, são internadas de 4 a 5 jovens queimadas pelos maridos e suas famílias. A taxa de mortalidade beira os 80% nos primeiros dias

O hospital Victoria, em Bangalore, é um dos raros hospitais de toda a Índia que possui um atendimento para queimaduras graves à altura da situação atual. Diariamente, com uma regularidade desesperante, ali chegam de 4 a 5 jovens que a cobiça de seus maridos e de suas sogras transformaram em tochas acesas. Principalmente em época de festas, quando as exigências de dinheiro multiplicam-se. Esse serviço de atendimento fica constantemente cheio. "São recebidas, aqui, mais de 1.800 mulheres queimadas por ano", especifica o professor Gurumurthy, que atende na sala de operação. Muitas vítimas chegam em macas, em farrapos e em carne viva. Contorcendo-se em dores silenciosas ou gritantes. Rapidamente atordoadas pela morfina, aguardam o fim. Aqui, a taxa de mortalidade beira 80% nos primeiros dias de internação. No dia 6 de fevereiro, elas tinham nomes: Vashanti (25 anos), Zarina (20), Lakshmi (23), Manjula (22) e Lakshmama (23). Esta última, com mais de 80% do corpo queimado, morreu poucas horas após sua admissão. Seu marido e sua sogra, que a levaram ao hospital, não saíram da cabeceira de sua cama. Em sua presença, ela sussurrou ao policial que foi registrar sua "declaração de pessoa moribunda" que se tratava de um "acidente". Versão veementemente contestada no dia seguinte por seus pais, que chegaram do interior com uma carta em que Lakshmama descrevia as torturas que lhe eram infligidas pela família de seu marido há meses.

Criando coragem

Na presença do marido, uma mulher sussurrou ao policial que foi registrar sua "declaração de pessoa moribunda" que se tratava de um "acidente"

Em 1998, a associação Vimochana mobilizou-se — com êxito — para conseguir mais gente, mais camas e mais verbas. Colocou também, no serviço de atendimento, duas voluntárias que trabalham em tempo integral. Ajudam as vítimas a morrer ou a escapar, a ter menos medo, a dizer a verdade. "Antes de nossa chegada", dizem Pratima e Sarodjama, "a maioria dos casos eram registrados como suicídios ou acidentes. Desde então, isso mudou. Cada vez mais vítimas denunciam seus torturadores".
(Trad. Wanda Caldeira Brant)

1 - Shahnaz Bokhari preside a Associação de Mulheres Progressistas do Paquistão (Pakistan Progressive Women Association). Nos três grandes hospitais de Islamabad e Rawalpindi foram recenseados "mais de 4 mil casos desse tipo desde 1994".
2 - O "crime de honra" subsiste, mas em um grau bem menor, em alguns países do Oriente Médio, principalmente na Jordânia, Palestina e Iêmen, onde anualmente se registram algumas dezenas de casos.
3 - No Progress on Women’s Rights (Nenhum Progresso nos Direitos das Mulheres), Paquistão, setembro de 1998.
4 - Karachi, 3 de janeiro de 2001.
5 - Lahore, 6 de fevereiro de 1999.
6 - "Crime ou costume, a violência contra mulheres no Paquistão", Human Rights Watch, Nova York, Londres e Bruxelas, agosto de 1999.
7 - Ler, de Aziz Malik, "Fighting karo-kari with education", Dawn, 3 de janeiro de 2001.




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