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agosto 2001

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TECNOLOGIA & DESENVOLVIMENTO

A serviço da humanidade

Quando a ciência cai nos braços do mercado, deixa de atender às necessidades básicas. É necessário, portanto, substituir o mercado por um parceiro capaz de dirigir a pesquisa na direção dos “bens públicos globais”

Philippe Rivière

“Assim como a educação”, salienta o relatório do PNUD, “a tecnologia é o motor de uma melhoria das condições econômicas e sociais”

Se, como previsto, os Estados Unidos contratarem, 100 mil programadores indianos na área de informática nos próximos anos, a perda , para a Índia, será de cerca de dois bilhões de dólares por ano... A proposta de “tabelar a evasão de cérebros”, que consta do XI Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento Humano1, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lembra que os progressos técnicos só têm valor quando postos a serviço da humanidade. No prefácio, Mark Malloch Brown, administrador do PNUD, propõe uma nova “parceria” entre ciência e desenvolvimento. “Assim como a educação”, salienta, “a tecnologia é o motor – e não somente a conseqüência – de uma melhoria das condições econômicas e sociais.”

Quando a ciência cai nos braços do mercado, deixa de atender às necessidades básicas. Se, por um lado, as patentes não incentivam o desenvolvimento de produtos para os quais não existe uma demanda em condições de os pagar, por outro, uma espécie de “preço global” torna as descobertas proibitivas e inacessíveis às populações pobres. É necessário, portanto, substituir o mercado por um parceiro capaz de dirigir a pesquisa na direção dos “bens públicos globais”.

Uma questão polêmica

O relatório tem várias propostas para reduzir a desigualdade de acesso às tecnologias: uma abordagem inovadora poderia ser a das “promessas de compra”

O relatório abunda de propostas para reduzir a desigualdade de acesso às tecnologias. Uma abordagem inovadora poderia ser a das “promessas de compra”. “Em 1714, o governo britânico oferecia 20 mil libras esterlinas – uma fortuna, na época – a quem descobrisse uma forma de medir a longitude em alto mar. Motivado por isso, o relojoeiro e inventor John Harrison desenvolveu um cronômetro marítimo, em 1753, extremamente preciso e que lhe permitiu ganhar o prêmio.” Se um fundo – mundial ou regional – propusesse comprar, para milhões de pacientes, um medicamento contra a malária, ninguém duvide que a indústria farmacêutica reencontraria sua vocação inicial2...

O relatório também aborda duas questões consideradas indissociáveis: a gestão do risco tecnológico e a definição das prioridades de pesquisa. “Os debates sobre as tecnologias emergentes tendem a refletir as preocupações dos países ricos. (...) O livro eletrônico talvez seja percebido como uma ameaça pelos empregados das grandes editoras mundiais, mas poderia ser uma bênção para programas educativos nos países pobres.” Num tom mais polêmico, o relatório apela para um sério esforço de pesquisa pública visando a criar novas variedades agrícolas – inclusive por meio das modificações genéticas – para proporcionar maiores recursos de nutrição e produtividade aos camponeses pobres do hemisfério Sul. Se é o caso de levar em conta os riscos ambientais, não seria também o caso dos potenciais benefícios dos mais pobres fazerem parte da equação? (Trad.: Jô Amado)




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