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setembro 2001

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Quem são os “sem religião”?

Uma mudança fundamental ocorre na sociedade francesa: metade das pessoas declara não pertencer a qualquer tipo de religião. E por que esses “sem religião” subitamente deixaram de se identificar com as instituições religiosas existentes?

“Secularização”: essa é a palavra-chave pela qual os especialistas designam uma das transformações mais marcantes da sociedade francesa. Em 1966, 89% dos franceses declaravam pertencer a uma religião, e 10% afirmavam-se “sem religião”1. Trinta e dois anos mais tarde, as respectivas porcentagens passaram a ser 55% e 45%2. Esses “sem religião” são maioria entre as pessoas com menos de 50 anos e chegam a 63% na faixa de 18 a 24 anos. Enfim, levando em conta a evolução desde 1998, pode-se avaliar que, pela primeira vez, há séculos, há tantos e até mais franceses fora das religiões do que nelas. Em comparação, apenas 5% dos norte-americanos se declaram “sem religião”...

Devido à sua importância, o fenômeno foi objeto de inúmeras pesquisas, artigos3 e livros. Contudo, a explosão dos “sem religião” não incitou sociólogos e jornalistas e explorar essa categoria: apenas alguns artigos e, na França, um único livro se dedicou ao assunto. Timidez paradoxal. Trata-se de um dos maiores e mais novos grupos sociais. Sua expansão coincide com uma maior abertura de opinião sobre questões da sociedade (feminismo e paridade, reconhecimento legal de parcerias conjugais do mesmo sexo, homossexualismo etc...). Finalmente, sua análise significa, para o país e para os sociólogos marcados pela hegemonia católica secular, sérios problemas conceituais cujo esclarecimento beneficiará outras pesquisas.

O peso da secularização

Os franceses “sem religião” são maioria entre as pessoas com menos de 50 anos de idade e chegam a 63% na faixa de 18 a 24 anos

Os especialistas que tratam do assunto, raramente, evitam o jargão. Eles afirmam que os “sem religião” preferem o “improviso”, a “caminhada” e “correr por fora”, ou que preferem a opção “à la carte”, e não a do cardápio oferecido; que são “herdeiros sem testamento”, ou mesmo “SDF4 da crença”. São inúmeras as fórmulas, bastante desdenhosas e pouco rigorosas, mas não dão conta do assunto. Como definir um conjunto, principalmente uma maioria, pelo que não é? O catolicismo – ao qual, de fato, 51 % dos franceses declaram pertencer – pode ser considerado o “caminho”, o “cardápio” e o “domicílio”? As classificações tradicionais (religioso/sem religião, crente/descrente) seriam ainda pertinentes?

Ocorre que os desvios aparentes revelam ser atalhos: a conversão ao judaísmo e ao islamismo, por exemplo, ajuda a compreender o futuro do cristianismo. Evidentemente, nenhuma religião – exceto, talvez, o budismo – escapa da secularização, e tanto os rabinos quanto os imãs protestam contra os seus estragos. Porém, enquanto a maioria dos cristãos secularizados abandona sua confissão, a quase totalidade dos judeus e dos muçulmanos continua a considerar-se como tal. Por quê?

Um crescimento da ortodoxia

A expansão do novo grupo social coincide com uma maior abertura da sociedade para questões como feminismo e paridade, homossexualismo etc.

Poderia dizer-se que é uma vantagem das religiões minoritárias. Entretanto, “as Igrejas protestantes foram atingidas pelos mesmos fenômenos de desconfiança e afastamento que a Igreja católica”, observa Jean-Paul Willaime, diretor adjunto do Grupo de Sociologia das Religiões e da Laicidade. “O movimento é, inclusive, mais forte, na medida que o protestantismo nasceu, ele próprio, de um movimento de secularização interna do catolicismo. Pastores casados, leigos muito competentes, críticas ao magistério eclesiástico: a instituição é secundária em relação à mensagem. E quem estiver descontente com sua Igreja pode encontrar, ou fundar, outra.” Certamente, o milhão de protestantes franceses considera suas Igrejas mais de acordo com a modernidade (ética sexual, contracepção, aborto, divórcio...). Porém, “como sua religião já é dessacralizada, portanto, sociologicamente frágil, um protestante desinteressado do compromisso religioso irá declarar-se “sem religião” mais facilmente do que um católico”.

Também minoritário, o judaísmo apresenta, no entanto, um caráter mais forte de identidade. Para Martine Cohen, do Grupo de Sociologia das Religiões e da Laicidade, “considerar-se cristão é afirmar uma crença, e considerar-se judeu é inserir-se em uma identidade religiosa de dimensão coletiva e histórica”. A socióloga não contesta que o judaísmo passa também por “uma secularização, pelo abandono ou seleção das práticas, mas a maioria dos judeus muito secularizados sente-se, também, bastante judia”. Além disso, ela destaca “um crescimento da ortodoxia nas sinagogas, escolas e comércio kosher, expressão da busca de identidade através do mais estrito respeito pelas regras religiosas”. Em oposição a isso, enfatiza “o desenvolvimento do judaísmo liberal e laico, especialmente nas classes médias, e entre os intelectuais. Porém”, conclui, “quase não se conhecem judeus que deixem de se declarar como judeus”.

Catolicismo reduzido a uma confissão

Como definir um conjunto (uma maioria) pelo que não é? A classificação tradicional (religioso/sem religião, crente/descrente) seria ainda pertinente?

Líder do Movimento Judeu Liberal, o rabino Daniel Fahri, concorda com essa análise, salientando, porém que, apesar de seu dinamismo, tanto as tendências ortodoxa e ultra-ortodoxa como a liberal continuam minoritárias. “Entre os cerca de 600 mil judeus franceses, o fenômeno majoritário são os ‘judeus do Kippur’ que só vêm à sinagoga para a festa do Perdão, e os ‘judeus da Neilah’, derradeiro ofício do Kippur.” Contudo, os judeus “envergonhados” a ponto de “não assumirem a identidade judaica” lhe parecem ultra-minoritários. “Na falta de uma assimilação religiosa, sua identidade está enraizada na memória do Shoah (Holocausto), na solidariedade com Israel, na luta contra o anti-semitismo ou na revalorização do íidiche ou do judeo-espanhol (ladino). Além do que, mesmo nos meios desenraizados, a circuncisão permanece uma regra...”

Jocelyne Cesari, pesquisadora do CNRS e autora, entre outros, de Muçulmanos e Republicanos (Musulmans et républicains5) reforça a mesma idéia em sua reflexão: “Muçulmanos que reneguem o Islã? Não, isso seria renegar sua história, sua identidade. Ateus? Muito menos. É uma questão de critérios: nasce-se muçulmano e assim se permanece, mesmo se se come porco, e se não se respeita os cinco pilares6.” O Islã minoritário, amálgama nacional – por oposição ao Ocidente nos países do hemisfério Sul – constitui, na Europa, uma “marca de identidade individual”. A palavra “muçulmano” permanece “polissêmica. A plaina da República reduziu o catolicismo apenas a sua dimensão confessional. Apesar dos esforços do governo francês para organizar o islamismo, o Islã jamais será um simples culto”.

Reconstruindo a identidade na religião

Evidentemente, nenhuma religião – exceto, talvez, o budismo – escapa da secularização, e tanto rabinos quanto imãs protestam contra os seus estragos

O Islã, subestimado pelas pesquisas sociológicas7 – na França são quatro milhões de crentes, entre os quais dois milhões de cidadãos – resiste muito melhor que o catolicismo à contestação das instituições. Afinal, explica Jocelyne Cesari: “A mesquita não é única: os clérigos não têm autoridade de dizer a palavra legítima. O Islã, principalmente na Europa, é suave. Cada um o interpreta como bem entende.” Alguns muçulmanos, especialmente os jovens, aspiram a mais ortodoxia, outros a uma definição mais cultural, e outros, distanciam-se. Mas, “se os elementos da tradição desaparecem, outros permanecem: a circuncisão identitária ainda é praticada em 99,9% dos casos”. O judaísmo, também, não tem papa, nem cardeais, nem bispos. E o rabino nada tem de padre. Severo, Daniel Fahri avalia que a maioria de seus colegas “contenta-se em fazer bar mitzvah [ comunhão] às escondidas, sem transmitir jamais um pensamento profundo”…

Essa religião, pouco hierarquizada, permite tanto a muçulmanos quanto a judeus manterem uma relação muito direta com Deus. Quando Rashid Toub, um jovem intelectual marroquino que freqüenta assiduamente a mesquita, define as “vantagens do Islã”, pensa, inicialmente no “no elo direto com Deus através do Livro (o primeiro versículo revelado diz: ‘Ikra!’, ou seja, ‘Leia!’); depois, na “simplicidade de sua mensagem (‘Alá é um e Maomé é seu profeta’); e por fim, na “fraternidade e solidariedade há muito perdidas, entre os cristãos”. Por isso, diante das humilhações e discriminações que sofrem, “muitos jovens árabes reconstroem sua identidade dentro da sua religião. Recusam-se a ser beurs8 e tornam-se muçulmanos. É um processo individual, profundamente religioso, mas que também impede muitos jovens de acabarem – ou permanecerem – como fracassados ou marginais.”

À esquerda dos católicos

Enquanto a maioria dos cristãos secularizados abandona sua confissão, a quase totalidade dos judeus e dos muçulmanos continua a considerar-se como tal

Minoritárias, identitárias, pouco institucionais: essas três dimensões das religiões judaica e muçulmana, permitem-lhes conservar suas ovelhas, definem o fundamento que, indiretamente, expulsou muitos cristãos para fora de sua Igreja (leia, nesta edição, o artigo “A Igreja na contramão”, de Dominique Vidal), e esboçam, por exemplo, um primeiro retrato dos “sem religião” que corroboram alguns dados das pesquisas sociológicas.

Pois, “sem religião”, não é necessariamente sinônimo de “ateu”. Segundo a pesquisa de 1999, 23% dos “sem religião” crêem em Deus, 26% crêem em uma “espécie de espírito ou força vital”, 26% acreditam na vida após morte, 12% no paraíso, 7% no inferno, 15% no pecado, 23% na reencarnação9. Consideram as cerimônias religiosas importantes nos casos de nascimento (33%), casamento (39%) e morte (46%). Quanto às crenças paralelas (amuletos, videntes, curandeiros, astrólogos), a pesquisa revela que se 49% os rejeitam, 33% hesitam e 18 % acreditam. As crenças tradicionais, tanto quanto as paralelas, são muito mais difundidas entre os jovens, onde se desenvolvem há uns dez anos. Por outro lado, em diferentes graus de intensidade, segundo sua crença, os “sem religião” afirmam ser mais abertos em matéria de sexualidade, mas reservados em relação à pena de morte, mais intransigentes em matéria de laicidade, mais confiantes na ciência. Posicionam-se nitidamente à esquerda dos católicos10.

Os “indiferentes” e os “interessados”

Para Martine Cohen, “considerar-se cristão é afirmar uma crença, e considerar-se judeu é inserir-se em uma identidade religiosa coletiva e histórica”

Professora de sociologia na Universidade François-Rabelais, de Tours, Sylvette Denèfle escreveu o único livro dedicado ao nosso tema, Sociologie de la sécularisation11. A partir de entrevistas com setenta e oito pessoas de Nantes e arredores, ela constrói um retrato dos “sem religião” como um grupo homogêneo. Para ela, “não se constituem a partir da recusa religiosa. Compartilham, em seu conjunto, de um sistema de valores que se tornou dominante: a filosofia do Iluminismo”. Depois do Renascimento e da Reforma, primeira desestabilização do catolicismo, “os filósofos do século XVIII rompem com a Igreja, opondo-lhe a crença no homem e nos seus direitos, na razão, na ciência. Mas será preciso esperar até a metade do século XX para que grupos sociais cada vez mais maciços se movam nessa ideologia, agora, majoritária. Portanto, vivemos o apogeu da modernidade, cujo credo racionalista e individualista reúne os “sem religião”, e não a emergência da pós-modernidade, que, aliás, não oferece qualquer sistema alternativo.

Esta estimulante visão recusa, com razão, uma abordagem estritamente religiosa dos “sem religião”. Contudo, contradiz bastante os resultados das últimas pesquisas ao tentar descrever essa categoria como um conjunto. Sua amostragem, reconhecida por ela própria como “significativa, mas não representativa”, teria falseado a análise? “Sylvette Denèfle descreve o antigo núcleo dos “sem religião”, ateu, racionalista e anticlerical, majoritário até a década de 70”, explica Yves Lambert, do Grupo de Sociologia das Religiões e da Laicidade. Ora, esse núcleo “representa apenas um terço do todo. Duas outras componentes são mais importantes: os “indiferentes”, filhos da secularização que não cresceram em um universo religioso e o ignoram; e os “interessados”, cuja busca por uma espiritualidade individual e livre, fora de qualquer instituição, exclui o pensamento fechado”.

Categorias rígidas, “que não unificam”

“Sem religião” não é necessariamente sinônimo de “ateu”. Segundo a pesquisa, 23% crêem em Deus, 26% em uma “força vital” e 23% na reencarnação

Anti-institucional, a geração de 1968 impulsionou bastante esta evolução. Mas, hoje, o movimento transcende as gerações. “É uma evolução em cascata”, prossegue Yves Lambert. “Muitos católicos praticantes tornaram-se não-praticantes, e uma parte deles juntou-se aos ‘sem religião’, transmitindo sua atitude aos filhos – enquanto apenas metade dos filhos de pais religiosos permanecem religiosos. Por isso a secularização cresce tão rápido.” Motivo de contrariedade dos anticlericais radicais nostálgicos: a oposição à Igreja católica não se estrutura mais no campo ideológico. O que prevalece atualmente é “um pluralismo bastante aberto, no qual a religião tem lugar, bem como todas as instâncias espirituais. Acabaram-se as clivagens clericalismo/anticlericalismo, enquanto certezas. Repare: 42% dos jovens ‘sem religião’, contra 36% de jovens religiosos, consideram importante aprofundar os conhecimentos das diversas tradições religiosas...” Yves Lambert garante “lutar, há muito tempo, contra os rótulos e pedir novas pesquisas. Não se deve definir as pessoas negativamente, e sim positivamente. Não há pessoas ‘com’ e pessoas ‘sem’! Embora explicável se praticantes e crentes forem hegemônicos, essa pretensão de definir os “sem religião” a partir da religião deixa de ter sentido quando estes se tornam majoritários.”

Autor de La Liberté de choisir12, Jean-Marie Donegani também combate as “categorias rígidas, que não unificam nada”. Segundo este pesquisador do Centro de Estudos da Vida Política Francesa (Cevipof), “os sociólogos das religiões ficam prisioneiros tanto das categorias da sociologia pastoral relativas às origens, como das categorias anti-religiosas, o que resulta no mesmo. É por isso que é difícil dimensionar a extraordinária diversidade do mundo religioso”. Para chegar a isso, Jean-Marie Donegani realizou uma pesquisa dupla, com sessenta católicos, durante três anos, enfocando “a grande diversidade dos ‘modelos’ de militância (radicais, marginais e intermediários), cada um dos três subdividindo-se em uma série de sub-modelos”. O problema, aliás, supera a questão de católicos e “sem religião”. “Atualmente, todos estão sob o mesmo emblema: a maioria das pessoas constrói seu próprio sistema de sentido como bem entende, a partir do conjunto das referências existentes.”

Uma explosão de referências de identidade

Vivemos o apogeu da modernidade, cujo credo racionalista e individualista reúne os “sem religião”, e não a emergência da pós-modernidade

Patrick Michel vai no mesmo sentido, mas avança mais longe. Para o autor de Politique et religion e de La Religion au musée13, “todas essas categorias são obsoletas. Elas mantêm a ficção de uma estabilidade que não existe há muito tempo. Os conceitos de “crentes” e de “não crentes”, de “religiosos” e de “sem religião” perderam toda sua densidade porque deixou de existir uma linha dura – há tantas posições radicais quantos indivíduos houver”. Os especialistas perdem-se por não terem sabido tirar as necessárias conclusões da “individualização” e da “desinstitucionalização” da crença. “No ‘supermercado da fé’ todos procuram, um pouco por toda parte, a resposta a uma busca de sentido: o catolicismo aberto, o judaísmo ortodoxo, Vishnu… Experimenta-se o ‘produto’, adota-se, e quando ele já não satisfaz, joga-se fora. E os considerados ‘sem religião’, como todo mundo, também se perguntam: ‘De onde venho?, Onde estou?, Para onde vou?’.” Parafraseando Pierre Bourdieu, Patrick Michel afirma: “Capital simbólico é uma coisa que sempre existe, mas não cabe a ninguém – e jamais à Igreja –pretender monopolizar sua gestão.”

Uma tal reviravolta ultrapassa, de longe, os limites da religião. “A paisagem em que vivemos deixou de ser estática”, salienta Patrick Michel. “Movimentando-nos por toda parte, cada um de nós se define por seu itinerário. Esse ‘estado de flutuação’ desencadeia uma crise de referências de identidade estáveis que questiona todos os campos da vida: profissional, político, religioso, sexual...” É difícil deixar de traçar um paralelo entre o declínio das grandes Igrejas, a rejeição aos partidos políticos tradicionais, a banalização do divórcio, a modificação do estatuto da homossexualidade e, por conseguinte, a multiplicação dos “modelos” de família. “Há quarenta anos, um colegial cujos pais fossem divorciados seria o único nessa situação em sua classe, enquanto atualmente, em Paris, a maioria dos alunos vive em famílias que se reconstruíram.” Consta da ordem do dia a “reinvenção de uma construção modelar de definição de identidade. O afastamento de uma norma tornou-se uma explosão de referências identitárias.”

O futuro do cristianismo

Como pensar o movimento a partir do que é estável? É um desafio que os sociólogos têm dificuldade em determinar. “Quem se interessa pelas religiões? Os que são pró e os que são contra. Mas, tanto uns quanto outros não sabem o que fazer com os ‘sem religião’.” Para compreendê-los seria necessário, insiste Patrick Michel, considerar “plenamente legítima” uma construção “autônoma” do sentido. “Nós vivemos uma época extraordinária, em que todos têm a liberdade de reconstruir, de reconstruir-se. Esse tipo de novidade justifica que as mentalidades, como é freqüente, sejam mais lentas que as realidades, e que a sociedade esteja à frente dos sociólogos.”

Em seu convento parisiense, René Luneau apaixona-se pelas Igrejas da África, da América Latina e da Ásia: enxerga nelas o futuro do cristianismo. E era nelas que pensava, quando nos confidenciou: “Ao perceber apenas o refluxo, não se vê o mar subindo.” Uma reflexão, com alguma poesia, que poderia ser aplicada aos “sem religião”…
(Trad.: Teresa Van Acker)




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