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“Cada qual tem o seu Bin Laden. O nosso chama-se Arafat.” Com essa fórmula, o primeiro-ministro Ariel Sharon, de Israel, manifestava de forma acintosa sua vontade de explorar os atentados de 11 de setembro. Na realidade, o exército israelense iria penetrar maciçamente nas cidades autônomas de Jenine, Jericó, Ramallah, Nablus, Belém e Hebron, e seus soldados matariam, em uma semana, cerca de trinta palestinos. Durante essa proeza, o ministro da Defesa (trabalhista), Binyamin Bem Eliezer, já se vangloriava: “Matamos 14 palestinos sem que o mundo inteiro dissesse uma palavra. Para Arafat, isso é catastrófico.”
Apoiando-se num presumível sinal verde da Casa Branca, o establishment israelense – o Likud e a direita trabalhista – pensou que chegara o momento de esmagar a Intifada e acabar com a Autoridade Palestina, após assassinar muitos de seus dirigentes. Alguns deles chegam a sonhar – segundo uma frase terrível do agrado dos herdeiros de Zeev Jabotinsky – em “acabar o trabalho iniciado em 1948”, ou seja, expulsar maciçamente a população palestina para os países vizinhos...
Estranha cegueira. Já em 1991, durante a Guerra do Golfo, para consolidar a coalizão com seus aliados do mundo árabe e muçulmano, George Bush, o pai, obrigara Itzhak Shamir a não revidar aos mísseis Scud lançados por Bagdá A causa é a mesma, os efeitos são os mesmos: George Bush, o filho, exerceu pressões sobre Sharon para que este acabasse com a repressão nos territórios ocupados e autorizasse seu ministro das Relações Exteriores, Shimon Peres, a encontrar-se, finalmente, com Yasser Arafat. Isso porque, antes de avalizarem um “contra-ataque” de Washington, os regimes árabes moderados sentem a necessidade imperiosa de diminuir a tensão na Palestina, de modo a reduzir o enorme espaço que separa as exigências norte-americanas e as posições anti-americanas.
(Trad.: Jô Amado)