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De língua turca e confissão muçulmana sunita, os uigures constituem a “minoria nacional” mais importante do Sinkiang (oito milhões de pessoas). Apesar da dificuldade em avaliar o número de culturas e de grupos étnicos, as autoridades de Pequim decidiram, seguindo o modelo de classificação étnica “positivista-stalinista”, que a China é povoada por 56 “nacionalidades”, dentre as quais a principal é a dos han (chineses, 92% da população total). O resto constitui uma espécie de pot-pourri de diversas “minorias” que vão dos tibetanos aos mongóis, passando por grupos do sudoeste, como os Miao, os Yao e os Yi, ou do noroeste, como os uigures, os cazaques, os russos , os quirquizes, os tadjiques... 1 Embora esse procedimento permita tornar simples um processo multi-secular e complexo – o encontro entre culturas e povos diversos, que seria difícil definir com clareza – a classificação não tem grande validade.
Aparentemente compostas por bons selvagens sorridentes e gratos por terem como guias seus grandes irmãos chineses, as “minorias”, depuradas de qualquer complexidade, tornaram-se atrações à moda Disney. Não se trata de um exagero: são prova disso as descrições encontradas em inúmeras publicações dedicadas ao tema, bem como a existência de dois parques de atrações, em Pequim e Shenzhen, dedicados à “China em miniatura” e às “Minorias em miniatura”. Nesses lugares de diversão, ao lado das reproduções de sua arquitetura típica, membros das minorias dançam e cantam com roupas tradicionais, reduzidos a servir de pano de fundo para retratos de família das novas classes médias, que não questionam a situação em que vivem os habitantes dos confins de seu país.
(Trad.: Teresa Van Acker)
1 - Ler, de Frank Dikotter, The Discourse of Race in Modern China, ed. Hurst & Company, Londres, 1992; e, de Colin MacKerras China’s Minority Cultures, ed. Harvard University Press, 1995.