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abril 2002

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DOSSIER MILOSEVIC / LINHA DO TEMPO

Vinte e cinco anos de conflito

Da Federação Iugoslava à guerra, aos múltiplos genocídios e ao desmembramento que o Ocidente estimulou

Catherine Samary

1974 – Nova Constituição: a Iugoslávia torna-se uma confederação. Kosovo, província autônoma da Sérvia, é representada nas instâncias federais com direito de veto contra qualquer decisão sérvia.

1981 – Dezenas de milhares de albaneses do Kosovo reivindicam o status de república. Repressão sangrenta.

1987 – Slobodan Milosevic torna-se dirigente da Liga dos Comunistas da Sérvia.

1988 – Manifestações maciças na Sérvia contra o “genocídio dos sérvios no Kosovo”. Destituição de dirigentes albaneses.

1989 – Greve geral e petições dos albaneses do Kosovo contra os projetos de emendas constitucionais, aceitas pela Federação, suprimindo o direito de veto de Kosovo no âmbito de uma autonomia subordinada a Belgrado. Envio de tropas da polícia federal. Greve de fome dos mineiros de Trepca. Repressão sangrenta e aprovação, pela assembléia kosovar, das emendas constitucionais sérvias. Milosevic é eleito presidente da Sérvia. Estado de emergência no Kosovo.

1990 – Congresso da Liga dos Comunistas da Iugoslávia (LCI), saída dos delegados croatas e eslovenos. O Parlamento do Kosovo é suprimido. Seus membros albaneses proclamam uma República do Kosovo no âmbito da Iugoslávia. Demissões em massa de albaneses. Organização de uma sociedade albanesa paralela. Mudança da Constituição croata alterando o status dos sérvios.

1991 – Declarações de independência da Croácia e da Eslovênia (25 de junho). Plebiscito dos albaneses do Kosovo em favor da independência (30 de setembro). A Macedônia declara-se independente (21 de novembro). Guerra na Croácia (agosto-dezembro). Queda de Vukovar depois de três meses de cerco pelas forças sérvias. Proclamação de uma República sérvia de Krajina, de onde os croatas são expulsos.

6 de abril de 1992 – Proclamação da independência da Bósnia e início de uma guerra que duraria até 1995.

Maio de 1992 – O Conselho de Segurança da ONU impõe um tríplice boicote (comercial, petrolífero e aéreo) à Sérvia e a Montenegro. A Croácia, a Eslovênia e a Bósnia são admitidas nas Nações Unidas, que rejeitam o pedido da nova República Federal da Iugoslávia (RFI).

1993-1994 – Guerra entre croatas e muçulmanos. Criação da Federação Croata-Muçulmana sob pressão dos Estados Unidos.

22 de fevereiro de 1993 – O Conselho de Segurança toma a decisão de criar um Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII).

Verão de 1995 – Ofensivas sérvias contra as “zonas de segurança” implantadas pela ONU, dentre as quais Srebrenica (7 mil mortos). Em agosto, o exército croata reconquista Krajina, expulsando centenas de milhares de sérvios.

21 de novembro de 1995 – Reunidos em Dayton (Estados Unidos), os presidentes Milosevic, Franjo Tudjman e Alija Izetbegovic assinam um acordo que implica a colaboração com o TPII, mantém a Bósnia-Herzegovina em suas fronteiras e aprova a divisão étnica em duas entidades: a República Srpska (RS) e a Federação Croata-Muçulmana. Suspensão das sanções contra a Sérvia e Montenegro.

1996-1997 – O Exército de Libertação do Kosovo (UCK) aparece pela primeira vez. Condenação do terrorismo e do separatismo pelo secretário de Estado adjunto norte-americano, John Kornblum, e pelos ministros de Relações Exteriores francês e alemão.

1998 – Confrontos no Kosovo, na Drenica, contra uma base local do UCK: o dirigente Adem Jashari e 36 pessoas de sua família são mortos. Aumento de poder do UCK. Confrontos: 2.000 vítimas e 250 mil refugiados. Belgrado aceita o plano do representante do Departamento de Estado norte-americano, Richard Holbrooke: volta dos refugiados, autonomia provisória do Kosovo por três anos, com acompanhamento de 2.000 observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

Janeiro-março de 1999 – Massacre de Racak (janeiro). Conferências de Rambouillet e de Paris. Fracasso da primeira fase (6-20 de fevereiro): a delegação albanesa recusa a autonomia e os sérvios descartam qualquer presença de uma força armada internacional. O dirigente do UCK, Ashim Thaci, é recebido nos Estados Unidos. Na volta (15-19 de março), a delegação albanesa assina o projeto. Um “anexo B militar” é acrescentado, impondo a colocação de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na RFI. O projeto é recusado pela parte sérvia.

23 de março-9 de junho de 1999 – Bombardeios da Otan. A Resolução 1.244, que põe fim à guerra, transforma o Kosovo numa “província da Iugoslávia”, sob proteção da ONU.

5 de outubro de 2000 – Milosevic reconhece sua derrota nas eleições de setembro. Vojislav Kostunica torna-se presidente da Federação iugoslava.

28 de junho de 2001 – Milosevic é levado para o TPII em Haia, mediante decisão do governo sérvio e apesar de um veto da corte constitucional. (Trad.: Iraci D. Poleti)




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