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Há sete anos, um documentário de Pierre Carles, que expunha a conivência entre os jornalistas de renome e o poder político, foi censurado pelo Canal Plus. Na época, o fato surpreendeu: afinal, não era esse o canal de televisão "discordante"? Uma das principais atrações da irreverência codificada, Karl Zéro, deu uma explicação pedagógica ao cineasta censurado: "É o seguinte: você tem que compreender um negócio que eu já compreendi. Existem dois Canal Plus. Existe o primeiro, com um decodificadorzinho, e pronto. Mas depois há o Canal Plus do agora: é uma holding, com satélite e essas coisas. Não tem nada a ver. É outro espírito de empresa ."
Há alguns meses, a direção do Canal Plus enchia a bola de Jean-Marie Messier. Diretor-geral da emissora, Denis Olivennes dizia, entusiasmado: “Não existe aventura industrial mais excitante do que aquela em que embarcamos com Jean-Marie Messier. É a ventania, uma viagem em alto-mar (...). Fidelidade a toda prova. Fidelidade recebida e fidelidade retribuída. Esse é o caráter de Messier1 ”.
Pierre Lescure também louvou a “aventura apaixonante de conquista e crescimento. (...) A fusão Vivendi-Universal deixa-nos perante um grupo dirigido por um patrão, Jean-Marie Messier, audacioso na concepção estratégica e corajoso em suas realizações2 .” Atualmente, o mesmo Pierre Lescure avalia, desiludido: “Um grande projeto industrial com um camarada como Messier nunca será sempre impossível para todos os que se lançarem a ele.” E adverte: “O que mais me preocupa é sua determinação exclusivamente financeira e econômica”.
E não se deve esquecer o lado dos programas burlescos. Um de seus idealizadores dizia, no mês passado: “O Canal Plus é uma família em que todos foram cooptados, escolhidos. E quem escolheu Messier? Ninguém. Ele comprou”. Uma brincadeira ingênua que não deixa de ser uma evidência.
(Trad.: Jô Amado)
* Editor-assistente de Le Monde Diplomatique.
1 - L’Express, 29 de março de 2000.
2 - Le Monde, 16 de novembro de 2000.