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junho 2002

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MARROCOS

Dezenas de milhares

Nas águas perigosas que separam o Marrocos das Ilhas Canárias, os dramas são freqüentes

Pierre Vermeren

Uma autêntica máfia foi criada para organizar este novo tipo de tráfico que envolveria mais de 100 mil pessoas por ano apenas no Estreito de Gibraltar

Criada no dia 2 de agosto de 2001, no Marrocos, a Associação dos Amigos e Famílias de Imigrantes Clandestinos (AFVIC) relembra que o primeiro caso de morte de um marroquino vítima da imigração clandestina1 ocorreu dois dias após a entrada em vigor dos acordos de Schengen, demarcando o espaço da União Européia. A imigração clandestina tornou-se, por sua amplitude, um dos principais eixos das relações entre a União Européia e o Magreb – e especialmente entre o Marrocos, a Espanha e a França. Uma autêntica máfia foi criada para organizar este novo tipo de tráfico que, segundo a AFVIC, envolve mais de 100 mil pessoas por ano apenas no Estreito de Gibraltar.

Segundo a associação, de 100 mil a 110 mil pessoas tentam, a cada ano, atravessar o estreito que separa o Marrocos da Espanha. Ocorrem freqüentemente dramas no estreito e nas águas perigosas que separam o Marrocos das Ilhas Canárias (Espanha).

Oitenta detenções por dia

Com os acordos de Schengen, que tornaram ainda mais difícil a obtenção de um visto de entrada, o fluxo de imigrantes clandestinos não parou de aumentar

A partir da assinatura dos acordos de Schengen, que tornaram ainda mais difícil a obtenção de um visto de entrada, o fluxo de imigrantes clandestinos não parou de aumentar. De 1991 a 1999, a polícia espanhola prendeu 32 mil clandestinos à sua chegada ao litoral da Andaluzia e às Ilhas Canárias. Em 2000, 15 mil clandestinos foram detidos, e mais 18.517 em 2001 (dos quais, 14.405 no Estreito e 4.112 nas Canárias, o dobro do ano 20002). Naquele ano, 1.060 pateras (lanchas rápidas que transportam os migrantes) foram abordadas, 362 redes de emigração ilegal foram desmanteladas e 1.223 de seus dirigentes foram presos.

Esse fluxo crescente é confirmado pelas autoridades marroquinas, que prenderam 25.613 pessoas tentando partir no ano 2000, e mais 21 mil de janeiro a agosto de 2001 (ou seja, quase 80 detenções por dia apenas do lado marroquino). No final de agosto, a marinha real interceptou três barcos de borracha perto de Tanger transportando 157 candidatos a imigrantes clandestinos (entre os quais, oito mulheres marroquinas e 42 sub-saarianas). Avalia-se que a proporção seria de três clandestinos que passam para uma prisão. A esses números impressionantes devem acrescentar-se, para o ano de 2001, 22.984 repatriados dos postos de fronteira pelas autoridades espanholas (21 mil dos quais, marroquinos).
(Trad.: Jô Amado)

1 - A associação foi criada em Khouribga, região mineira do Marrocos central, por sete amigos com idades em torno de 30 anos, no final da década de 60. De volta à sua cidade quando terminaram seus estudos, em Rabat e Casablanca, descobriram as dimensões da sangria que ocorrera durante a década de 90. Vários amigos seus haviam desaparecido nas tentativas de migrar.
2 - Dados obtidos pelo jornal marroquino L’opinion, 27 de abril de 2002.Baseiam-se em declarações do primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, de 24 de abril, à Câmara baixa.




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