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outubro 2002

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IRAQUE

O que nós não sabemos...

O secretário da Defesa norte-americano disse, a respeito das armas iraquianas, o seguinte: “Existem coisas que nós sabemos que sabemos. Existem coisas que nós sabemos que não sabemos. E existe aquilo que nós não sabemos que não sabemos”

Anthony H. Cordesman, um pesquisador influente do Center for Strategic and International Studies, de Washington, observa, em um relatório de 12 de setembro, sobre as armas de que o Iraque dispõe atualmente: “Muitos dos que se opõem ou se perguntam a respeito de ataques contra o Iraque pedem provas do perigo iminente. Tendo falado com muita gente dos serviços de informação norte-americanos e com especialistas em armas de destruição em massa, acredito que eles partilham meu ponto de vista de que semelhante pedido é impossível.” Com exceção de testes humanos, “não temos nenhum meio de determinar a letalidade das armas biológicas iraquianas [...]. O Iraque não pode testar essas armas de forma maciça. Só conhecerá o poder letal do que utiliza através de sua utilização efetiva. O mesmo se dá com seus aperfeiçoamentos do agente químico VX […]. Só descobriremos se o Iraque é verdadeiramente perigoso quando ele utilizar suas armas.”

Porém, para Donald Rumsfeld, secretário de Defesa norte-americano, “a ausência de provas não é a prova da ausência de armas de destruição em massa. Existem coisas”, continua ele, “que nós sabemos que sabemos. Existem coisas que nós sabemos que não sabemos. E, enfim, existe aquilo que nós não sabemos que não sabemos” (citado por Foreign Afffairs, setembro – outubro de 2002).

Histeria supérflua

Entrevistado pelo jornal Yediot Ahronoth no dia 16 de agosto, o ministro da Defesa israelense, Benjamin Ben-Eliezer, reconheceu que há muita “guerra psicológica” durante esse período de expectativa. “Cada manhã, quando acordo e ouço todas essas histórias na mídia sobre os desdobramentos no Iraque, vou correndo olhar os jornais. Será que esqueci alguma coisa? Percorro as colunas e tudo permaneceu como antes. Não há motivo para essa ansiedade.” A respeito do armamento de que dispõe Saddam Hussein, prossegue: “Ele não tem armas nucleares. Nós julgamos que tenha armas químicas e, talvez, bombas bacteriológicas. Em pequena quantidade. Tanto quanto sabemos, não dispõe de muitos lançadores. Pensamos que tenha conseguido esconder uma parte de seu armamento químico e das bombas bacteriológicas. Nós o levamos em conta e nos preparamos. Mas estamos tão longe desse momento, que qualquer histeria é supérflua.”

(Trad.: Iraci D. Poleti)




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