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maio 2003

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O PÓS-GUERRA IMPERIAL

Urânio emboprecido mais uma vez

Embora a suposta posse de armas de destruição em massa pelo Iraque sirva como principal pretexto para a guerra contra aquele país, os Estados Unidos utilizaram bombas de urânio empobrecido em várias de suas campanhas militares recentes

De guerra em guerra, os Estados Unidos aperfeiçoam suas armas de destruição. Segundo o comando central norte-americano do Qatar, as forças norte-americanas lançaram “pela primeira vez num conflito armado, um novo tipo de bomba de fragmentação, capaz de desafiar todas as condições meteorológicas1”. Os prejuízos humanos já são consideráveis.

Quanto às bombas de urânio empobrecido, já utilizadas na primeira guerra do Golfo em 1991, serviram de novo no Iraque, embora sejam oficialmente declaradas ilegais pelas Nações Unidas. Segundo o Sunday Herald, uma dessas bombas teria caído num “alvo amigo” em 28 de março, matando um soldado britânico e ferindo três outros. “Estamos em guerra contra o Iraque, pois o país possui armas de destruição em massa. Mas nós mesmos utilizamos essas armas de destruição. Tal linguagem dupla é repugnante”, declara o professor Doug Rokke, ex-diretor do programa “Urânio Empobrecido” do Pentágono2.

Para os militares e civis atingidos, assim como para a população que continua a viver perto do local em que caíram essas bombas, as conseqüências podem ser terríveis: cânceres, pulmões afetados, deformações em recém-nascidos... Segundo inúmeras fontes especializadas3, essas bombas de urânio empobrecido foram testadas no Kosovo e amplamente utilizadas no Afeganistão. “É um crime contra a humanidade”, revolta-se Rokke. “Um crime de guerra. Não devemos usar armas que deixam atrás de si perigos de toxicidade e que podem matar indistintamente. Para todos os cidadãos do mundo, devemos proibir essas bombas.”

(Trad.: Regina Salgado Campos)

1 - APF, 4 de abril de 2003.
2 - Neil Mackay, "US Forces’Use of depleted uranium weapons is illéggal", The Sunday Herald, Glasgow, 30 de março de 2003.
3 - Robert James Parsons, "De la réalité des armes à uranium appauvri", Le Monde diplomatique, março de 2002; "La loi du silence sur l’uranium appauvri", Le Monde diplomatique, fevereiro de 2001.




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