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Dois tipos de emprego atípicos devem ser caracterizados:
Os que se diferenciam das normas, do ponto de vista da duração e da estabilidade do contrato de trabalho. São as “formas particulares de emprego”, ou seja, os contratos por tempo determinado, o trabalho temporário, os contratos de auxiliares e os diversos estágios;
Os que se distinguem das normas, do ponto de vista da jornada de trabalho e do salário mensal. Nesse caso, trata-se fundamentalmente do trabalho com jornada parcial, uma boa parte do qual talvez possa ser identificada com o subemprego, ou seja, em uma situação em que se trabalha menos do que se desejaria.
Na França, se for feito o recenseamento de todos os empregos atípicos, cerca de 6 milhões de pessoas se encontram nessa situação1, entre elas 4 milhões em tempo parcial. Os empregos atípicos representam, atualmente, 25% do emprego total, ao contrário dos 16% em 19902. Dois terços deles são ocupados por mulheres. Entre meados da década de 80 e o ano de 2002, o número de assalariados empregados com contrato por tempo determinado triplicou (de 319 mil para 897 mil), o dos empregados temporários foi quintuplicado (de 114 mil para 514 mil) e os contratos de auxiliares e estagiários triplicou (de 115 mil para 421 mil). Os empregos temporários, que representavam 2,7% da população economicamente ativa em 1985, atingem 8% das pessoas que têm um emprego em 2002.
(Trad.: Wanda Caldeira Brant)
* Diretora de pesquisa no Centre national de la recherche scientifique (CNRS). Entre suas obras, merecem destaque Les mécomptes du chômage, ed. Bayard, 2002, e de Travail et emploi des femmes, ed. La Découverte, Paris, 2003.
1 - É preciso ler exatamente cerca de 6 milhões, pois algumas dessas categorias podem se sobrepor (os contratos por tempo determinado, por exemplo, são às vezes por tempo parcial).
2 - De acordo com as cifras apresentadas por Benoît Ferrandon em "Population et emploi", Les Cahiers Français, n°304, setembro-outubro de 2001.