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Principal animador do movimento da Teologia da Libertação no Brasil, o autor deste singular romance, Frei Beto, frei dominicano engajou-se, desde 1969 na guerrilha urbana ao lado de Carlos Marighella. Preso e torturado, passou quatro anos nas prisões da ditadura militar. Quando foi solto fundou a Pastoral Operária e a Pastoral da Terra que serão viveiros de quadros para o novo sindicalismo, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Movimento dos Sem Terra (MST). O “presidente Lula” assim como João Pedro Stedile, o dirigente do MST, iniciaram sua militância política respectivamente na Pastoral Operária e na Pastoral da Terra.
Hoje, Frei Beto assessor de Lula é o inspirador do programa “Fome Zero”, projeto guia do governo socialista. É um projeto urgente pois dos 175 milhões de habitantes, 44 milhões se encontram em estado de insegurança alimentar. Um escândalo em um país que figura entre os principais produtores agrícolas do mundo. Frei Beto afirma que se no fim do mandato de Lula, cada brasileiro puder fazer três refeições por dia, ele terá cumprido a missão de sua vida.
Frei Beto, certamente, escreveu este romance para defender de uma outra maneira estas idéias: Hotel Brasil. Um formidável “policial” clássico, escrito segundo as regras do gênero e que começa, como deve ser, pela misteriosa descoberta de um cadáver. O corpo sofreu estranhas mutilações e nenhuma pista permite aos investigadores elaborar a menor hipótese para resolver o enigma. A intriga desencontrada e inúmeros golpes dramáticos se desenvolvem no suntuoso e terrificante cenário do Rio de Janeiro.
Hotel Brasil é um exemplo particularmente interessante de romance de duplamente divertido. Na verdade, entre dois trechos de imaginário tradicional, à base de um crime insolúvel, personagens suspeitos e pesquisa apaixonante, o autor nele expõe um pedaço do verdadeiro Brasil: cru e sangrento, de um sabor violento, vigoroso e incontestável. Mas o romancista Frei Beto não pode deixar de lado o fato de ser militante engajado e a realidade da vida cotidiana. Ele evoca, em páginas soberbas, os marginais da sociedade e as crianças de rua que se tornam aqui, personagens entre as mais atraentes do romance.
Abordando através do gênero romanesco popular as preocupações de diferentes categorias de incluídos (políticos ambiciosos, jornalistas, traficantes de pedras preciosas) e de excluídos (uma mãe prostituta, um travesti, uma ingênua com pretensões à estrela), Frei Beto nos propõe uma espécie de apaixonante caleidoscópio, feroz e terno, barroco e autentico, festivo e inquietante, do Brasil contemporâneo.
(Trad.: Celeste Marcondes)