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O presidente George W. Bush e o primeiro-ministro britânico Anthony Blair transformaram Gana em modelo do que é “bom para a África”. O presidente John Kufuor dispõe de um acesso privilegiado à Casa Branca e a 10, Downing Street [1], Bush o qualificou de “visionário e "homem de caráter”, que teria feito um “trabalho fantástico para seu país”.
O que deixa Washington tão satisfeito com Gana é a expansão discreta, mas muito clara, da cooperação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), tanto no que diz respeito a informações quanto a operações militares. Os Estados Unidos desejam “garantir” as reservas petrolíferas do golfo da Guiné. Elas poderiam representar, até 2015, até 25% de suas importações do produto. Já em 2003, invocando a necessidade de preservar as relações militares com os Estados Unidos, Acra assinou um acordo que protegia do Tribunal Penal Internacional os residentes norte-americanos presentes em seu território.
Vários exercícios militares conjuntos foram organizados em terra e no mar. Em outubro de 2005, eles envolveram, mil soldados do exército de Gana e da Otan. Acra colocou seu território e seus equipamentos à disposição dos militares norte-americanos. Acolheu um programa estadunidense-europeu destinado a propiciar o desenvolvimento das tropas (programa Exercise Reception Facility).
“Gana nos interessa”, declarou, em maio de 2004, o general Joseph Ralston, que dirigia o Comando Aliado Supremo na Europa. “O que fundamentalmente nos interessa é a segurança, a paz, os investimentos econômicos, o desenvolvimento dos países da África. Gana revela-se um pólo de estabilidade que queremos ter certeza de reforçar. E se for preciso executar operações em países menos estáveis, poderíamos nos basear em Gana e discutir com os países interessados [2].”
Alguns ganenses inquietam-se com essa cooperação com Washington. Ela poderia transformar o país em alvo para os terroristas. A construção de uma nova embaixada norte-americana nos bairros no leste de Acra suscita intranqüilidade. No entanto, essas indagações não parecem fragilizar o governo de Kufuor.
Tradução: Wanda Caldeira Brant
wbrant@globo.com
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[1] Endereço da residência oficial do primeiro-ministro do Reino Unido, e nome metafórico pelo qual é conhecido o Executivo do país
[2] Escritório das Nações Unidas para a coordenação das Relações Humanitárias, Rede Integrada Regional de Informação, Boletim de informação para a África do Oeste, nº931, Nova York, 15 de março de 2001