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julho 2007

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SOCIEDADE

Enfim, uma indenização

Sinais do neoliberalismo: uma decisão judicial revela que, mesmo num país "central", grandes corporações sentem-se à vontade para expor trabalhadores a doenças mortais

Annie Thebaud-Mony

A empresa de produtos químicos francesa Adisseo, terceira do mundo no ramo de alimentos para animais, cometeu um erro imperdoável. Assim o julgou o Tribunal de Assuntos de Seguridade Social (Tass) de Moulins (França), em 20 de abril de 2007.

O tribunal condenou a empresa a pagar indenizações de 50 a 60 mil euros a cada um dos nove empregados e ex-empregados da fábrica de Commentry, acometidos de câncer de rim. A doença havia sido reconhecida como de origem profissional em 2003, pelo mesmo tribunal. Os queixosos trabalham ou trabalharam na oficina de produção de vitamina A da fábrica, que utiliza, desde 1982, o cloroacetal C5, molécula mutagênica e cancerígena. Para a corte, ‘‘desde quando reconheceu o caráter mutagênico do cloroacetal C5, em 1990, a companhia Adisseo France não demonstrou ter de fato reforçado as medidas de proteção de seus empregados.’’ Os juízes ressaltaram: ‘‘ A partir de 1984, vários casos de câncer de rim foram diagnosticados entre os empregados do local. Vinte e dois casos foram descobertos, com várias mortes [1]’’.

Tradução:Elisabete de Almeida
betty_blues_@hotmail.com



[1] Le Journal de l’environnement, de 24 de abril de 2007.


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