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setembro 2007

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IRÃ / HISTÓRIA

Mossadegh, o homem a ser abatido

A história da vida política de Mohammed Mossadegh, personalidade favorita dos iranianos. Durante seu governo, o mais democrático que o Irã conheceu, travaram-se inúmeras lutas em favor da liberdade e da independência

Ahmad Salamatian

Morto em 1967, depois de ter passado 14 anos preso, Mohammed Mossadegh continua a ser, segundo uma pesquisa recente, a personalidade favorita dos iranianos, tanto dentro do país quanto entre os expatriados.

Nasceu em 1882, em Teerã, em uma família de altos funcionários da aristocracia Qadjar [1]. Durante a revolução constitucionalista de 1906, influenciado por correntes maçônicas, freqüentou o círculo reformador (Humanidade). Quando foi designado representante da cidade de Ispahan no primeiro (Parlamento), teve seu mandato invalidado: não tinha a idade exigida.

Entre 1901 e 1913, fez seus estudos de ciência política em Paris e terminou o doutorado em Direito em Neuchâtel (Suíça). De volta ao Irã, lecionou na Escola de Ciências Políticas e publicou trabalhos sobre direito. Ingressando no governo, ocupou vários postos no interior do país e em ministérios. Opôs-se aos acordos de 1919, que, para ele, significavam deixar seu país sob a tutela do Reino Unido. Insurgiu-se, também, contra o golpe de Estado de 1921, que levou Reza Khan ao poder.

Eleito deputado por Teerã no Majilis, em 1925, combateu o novo poder e rejeitou a subida de Reza Khan (sob o nome de Reza Shah) ao trono. Pouco tempo depois da destituição de Reza Shah pelos soviéticos e britânicos, em 1941, foi reeleito deputado pela capital.

Foi durante tal legislatura que elaborou sua política de “equilíbrio negativo”, opondo-se, ao mesmo tempo, à dominação britânica das instalações petrolíferas no sul e à outorga de uma concessão petrolífera à União Soviética no norte. Durante as eleições de 1947, denunciou fraudes e lançou as bases da Frente Nacional, que se tornaria o eixo do movimento pela nacionalização do petróleo. Em 15 de março de 1951, conseguiu aprovar a lei para a nacionalização do petróleo e tornou-se primeiro-ministro, com autoridade no Parlamento para aplicar essa lei e para reformar o sistema eleitoral.

Sua vida política foi intensa e travaram-se inúmeras lutas em favor da liberdade e da independência durante os 27 meses de seu governo. Mas seu exemplo foi considerado muito ameaçador pelas grandes companhias de petróleo, principalmente a Anglo-Iranian Oil Company. Além disso, os britânicos se convenceram de que ele representava uma ameaça à dominação sobre o Oriente Médio. Londres recorreu a todos os meios para derrubar o governo mais democrático que o Irã conhecera: ameaças militares, bloqueio econômico, utilização de dissensões internas e problemas tribais, manipulação do xá, de grupos parlamentares do Majilis, da hierarquia religiosa e, até, do partido pró-soviético Tudeh.

Mossadegh resistiu por meios legais e pacíficos no âmbito nacional e internacional. No entanto, foi um golpe concebido pelos serviços secretos britânicos e executado pela CIA que o tirou do poder em 1953. A tragédia chocou o Irã e contribuiu para gerar a revolução de 1978-1979.

Leia mais:

Nesta edição, sobre o mesmo tema:

O golpe montado pela CIA
Não se pode compreender o Irã atual sem recuar até o golpe de Estado de 1953. Fomentado pelas multinacionais do petróleo, ele abortou as reformas em curso, fortaleceu a ditadura do xá e abriu caminho para a revolução islâmica de 1978-1979



[1] Mohammed Mossadegh era filho de um alto funcionário e de uma princesa Qadjar, uma antiga dinastia de origem turcomana (da qual, possivelmente, fazia parte uma filha de Gêngis Khan). Em 1925, o golpe de Estado de Reza Shah derrubou o soberano Qadjar Ahmed Shah e iniciou a nova dinastia Pahlevi. Ver


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