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maio 2008

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AGRICULTURA - 1

Etanol. a nova euforia dos produtores norte-americanos

Dominique Baillard

“Toda manhã eu bebo um copo de etanol quando acordo”, brincou o republicano John McCain, candidato à presidência dos Estados Unidos. A declaração de campanha é de um senador que, até 2006, foi um ferrenho opositor dos biocombustíveis e das subvenções que mantêm o ímpeto desta indústria nascente, baseada principalmente no milho. Mas, para ganhar a confiança de seu partido, foi fundamental defender a causa do etanol nos estados rurais do Meio-Oeste. Entre os democratas, Hillary Clinton também se converteu às perspectivas promissoras do cultivo e o senador Barack Obama foi muito incisivo na sustentação do produto.

O engajamento do conjunto da classe política americana em torno dos biocombustíveis é ponto pacífico num país onde esta indústria constitui um elemento-chave da soberania estratégica.

A produção cresceu 25% somente no ano passado para satisfazer a nova demanda, inclusive internacional. Em 2006, a cotação do milho atingiu uma forte alta após as companhias petrolíferas abandonarem o combustível MTBE1, muito poluente, para aderirem ao etanol. Um novo aumento foi registrado no final de 2007, quando o Congresso americano votou a lei sobre energia.

Em 2008, a cotação poderá disparar novamente. Entre alimentar os porcos criados na China e encher o tanque dos motoristas americanos, a escolha parece quase óbvia. Além disso, a evolução dos preços inicialmente vai alimentar a concorrência entre a soja e o milho, mas com o tempo, a superfície plantada de cereais com vocação alimentar corre o risco de ser comprometida pelos grãos destinados à fabricação de combustíveis.

O MTBE (éter de metila e butila terciária) é um aditivo derivado dos produtos petrolíferos que era adicionado à gasolina nas refinarias americanas. Considerado muito nocivo para o meio ambiente e a saúde, foi substituído pelo etanol.




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