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CULTURA PERIFÉRICA

O gozo de Gaza

A periferia debaixo de tiros, a Palestina debaixo de bombas. Mera coincidência, ou são sempre os mesmos que sangram nas calçadas, quer seja na faixa de Gaza brasileira ou na Faixa de Gaza Palestina? Estou cansado deste mundo de muitos na faixa de gaza e poucos na faixa do gozo

Sérgio Vaz

(13/01/2009)

Povo lindo, povo inteligente, na faixa de Gaza o povo Palestino sangra sob a mira de Israel, que pelo que parece não aprendeu nada com a Alemanha de Hitler. E o Mundo, em silêncio, parece que também não.

Aqui no Brasil, na Baixa do Sapateiro, faixa de gaza baiana, menino Matheus morreu com um tiro de Fuzil quando saía de casa para comprar pão, no mesmo momento em que a polícia invadia sua favela.

Mera coincidência, ou são sempre os mesmos que sangram nas calçadas, quer seja na faixa de Gaza brasileira ou na Faixa de Gaza Palestina? Será que a sede de sangue nunca cessa?

A Periferia debaixo de tiros, a Palestina debaixo de bombas. Será que deus foi passar o réveillon em Copacabana?

Não tenho tempo para orações, porque enquanto a gente esfola o joelho de mãos espalmadas pedindo o céu, eles, com as mãos armadas, nos atolam no inferno.

Estou cansado deste mundo de muitos na faixa de gaza e poucos na faixa do gozo.

Em tempos de humanidade tão desumana, estar vivo, dependendo do lugar, já é um grande milagre. Aqui na faixa de Gaza paulista, a gente está colocando livros nas mãos das crianças que ainda não foram mortas. E elas disparam poesia ao invés de pedras - mesmo com a boca cheia de cáries e o peito cheio de mágoas-, e ainda tem muita gente que não está gostando nada disso.

O Verbo das ruas se conjuga assim: se eles vão, nóis vai, se vale tudo pra chegar primeiro, vale tudo pra quem chega-chegando. Quando o sujeito não está presente, ninguém tem futuro ou pretérito perfeito.

Mundinho medíocre esse nosso. Vai vendo a contradição: meninos que pegam em armas valem mais do que meninos que pegam em livros. Entendeu não? Eu explico: É que para alguns, quanto mais Vietnã mais Miami se aproxima.

Tem sangue em nossas mãos e tem gente que finge não entender: o porque de tanta Hiroshima.

Mais:

Sérgio Vaz é colaborador do Caderno Brasil do Le Monde Diplomatique-Brasil. Textos anteriores:

Novos dias
Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça. O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você. Feliz todo dia!

Manifesto da Antropofagia Periférica



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