Bernard Cassen
Diretor-gera do
Le Monde Diplomatique.
Seus artigos nesse site:
O Tratado de Lisboa, à revelia dos povos
Disfarçada, volta à cena a “Constituição Européia”, para ser aprovada sem referendos populares. E uma Europa produzida nesses moldes significa necessariamente mais liberalizações, mais privatizações, cortes dos serviços públicos e o reiterado adiamento de qualquer veleidade de transformação social e redistribuição da riqueza
12 de dezembro de 2007
Contra o “tudo em inglês”
Na França, a falta de domínio dessa língua tornou-se um critério para demissões que obedecem às conveniências da Bolsa. Enquanto isso, quatro pacientes de câncer morreram por excesso de radiação, devido à má compreensão do programa de computador ... em inglês!
(Na internet, a partir de setembro)
14 de agosto de 2007
Uma eleição longe do mundo
O primeiro turno da disputa presidencial francesa foi marcado pela mediocridade do debate sobre temas internacionais. Seria mais um indício de que o capitalismo globaliza as decisões, mas esvazia a política?
29 de abril de 2007
Ponta de lança do neoliberalismo
Ao longo dos últimos anos, dirigentes da União Européia têm procurado difundir a impressão de que são favoráveis a regras mais justas para o comércio internacional. Infelizmente, isso não passa de miragem
16 de janeiro de 2007
E se a França ousasse?
Um conjunto de circunstâncias dará a Paris, nos próximos dois anos, condições de questionar a tendência mercantilista da União Européia. A pergunta é: os candidatos às eleições presidenciais, em tese favoráveis à proposta, estarão dispostos a levá-la adiante?
16 de janeiro de 2007
Uma aldeia global no Quebec
Uma comunidade canadense de 446 habitantes, famosa pelo espírito de vanguarda, mantém-se integrada e dinâmica graças a espírito comunitário, uma instituição financeira alternativa e coragem para usar em favor de todos as novas tecnologias
1º de agosto de 2006
Algo de novo em Genebra
Em paralelo à reunião dos chefes de governo dos dois continentes, um encontro entre movimentos sociais reflete as mudanças no cenário latino-americano e debate a hipótese de um comércio internacional solidário
1º de junho de 2006
Disputa em aberto
Duas forças opostas estarão em choque, na conferência da OMC. O capital quer ampliar a mercantilização do mundo; mas entre as sociedades, espalha-se a resistência
1º de dezembro de 2005
Contra-ataque neoliberal
Por trás de propostas debatidas sem alarde na OMC e União Européia, está uma nova tentativa de estimular a concorrência entre os trabalhadores, em favor do capital. Ainda é tempo de resistir
1º de novembro de 2005
Em defesa da refundação democrática
Se a Europa realmente deseja ser uma idéia nova e levada por seu povo, é na inovação democrática que ela deve se distinguir antes de tudo
1º de julho de 2005
Defesa com aval americano
No Tratado Constitucional, a defesa dos países da UE estão submetidos aos compromissos da Otan – e, por conseqüência, às ordens de Washington
1º de maio de 2005
Um persistente déficit democrático
O que é apontado como grande avanço democrático no Tratado Constitucional não passa de dispositivos formais, anulados pelo modelo econômico ultraliberal
1º de maio de 2005
Que “novos direitos”?
Os direitos fundamentais ao trabalho, a moradia, a salário mínimo, são substituídos por quatro liberdades, também chamadas de "fundamentais": a liberdade de circulação de capitais, de mercadorias, de serviços e de pessoas
1º de maio de 2005
Que neutralidade é essa?
O discurso da neutralidade ideológica, assumido pelos defensores do “sim”, não resiste ao exame dos cânones liberais considerados como “liberdades fundamentais”
1º de maio de 2005
Serviços públicos e concorrência
A expressão “serviço público” não faz parte do vocabulário da União Européia. E o TCE os considera um recurso para estimular a economia
1º de maio de 2005
Cartada decisiva na França
Uma possível vitória do “não” no referendo sobre a “Constituição” Européia na França abre caminho para o debate sobre a construção da União Européia em outras bases
1º de abril de 2005
Debate à francesa
Os partidários do “sim” na França poderiam aprender muito com as práticas democráticas de outros países da União
1º de abril de 2005
Um debate interditado
A discussão sobre a nova «Constituição» européia é esvaziada de conteúdo, para impedir que a população reconheça ali algo próximo de um arremedo dos estatutos do FMI ou da OMC
1º de fevereiro de 2005
Contra a ditadura do inglês
Para as elites planetárias, o inglês seria a língua da “comunicação internacional”. Contra essa miragem ideológica, é preciso construir um mundo poliglota
1º de fevereiro de 2005
Dos confins ao centro da galáxia
O sistema de funcionamento linguístico galáctico não caiu do céu: é o resultado histórico do curso do poder, de guerras, invasões, migrações, colonizações
1º de fevereiro de 2005
Integração em vez de divórcio
Apesar das tensões geopolíticas e comerciais, a integração das economias norte-americana e européia aprofundou-se ainda mais, demonstrando sua preocupante autonomia da política. Seria o “fim da história” da democracia?
1º de setembro de 2004
A jogada da minoria de bloqueio
Derrotados por uma decisão do Conselho, os Estados podem formar uma coalizão para promover uma política e, principalmente, para impedir uma que lhes venha a desagradar. Assim, na prática, exercem indiretamente o direito de veto
1º de janeiro de 2004
Uma Constituição para santificar o mercado
Fracasso parcial ou absoluto, o fato é que a reunião do Conselho Europeu do mês de dezembro apenas empurrou com a barriga os grandes problemas da UE: as políticas nacionais continuam sendo guiadas e restritas aos interesses da globalização liberal
1º de janeiro de 2004
A questão diversidade cultural
O objetivo francês é o de chegar a um instrumento jurídico internacional sobre a diversidade cultural, ou seja, uma convenção. Quem se poderia opor a objetivo tão sensato? Na verdade, forças muito poderosas, a começar pelos Estados Unidos
1º de setembro de 2003
Rumo à liberalização geral
A cada dois anos, a reunião da conferência ministerial, instância suprema da OMC, atrai a atenção do mundo, mas é longe dos olhares dos manifestantes que se fazem as negociações que realmente interessam para os paladinos do livre comércio
1º de setembro de 2003
As bacanais financeiras dos executivos-escroques
Através de “opções de compra de ações” e o chamado “pára-quedas de ouro”, altos-executivos que afundaram grandes empresas, prejudicando milhares de trabalhadores, continuaram faturando milhões e ameaçam o próprio capitalismo
1º de agosto de 2003
Uma Constituição para nada
Quando a grande maioria dos cidadãos compreender bem a sobredeterminação das políticas nacionais pelas decisões tomadas no âmbito da União, com seu viés ortodoxamente liberal e tutelado pelos EUA, a consciência européia terá passado por uma fronteira crucial
1º de julho de 2003
Quando The Economist pensa contra si mesmo
Diante do êxito da Malásia, que impôs o controle cambial para responder à crise financeira de 1997, violando um dos cânones mais sagrados da ortodoxia liberal, badalado semanário econômico liberal faz auto-crítica
1º de junho de 2003
A doença que enfraquece a Europa
Dividida em torno da Guerra no Iraque, a União Européia poderia se beneficiar de uma “vantagem colateral” se afirmasse sua identidade própria e se distanciasse de um parceiro norte-americano que confunde aliança com vassalagem.
1º de maio de 2003
Os cientistas partidários dos transgênicos
Em uma ação conjunta a Academia de Medicina e a Academia de Ciências (francesas) saíram de sua torre de marfim para divulgar, em dezembro de 2002, relatórios polêmicos em que afirmam que os transgênicos não representam problemas para a saúde
1º de fevereiro de 2003
Paradoxo da ampliação européia
Embora represente uma aspiração secular, o projeto de unificação dos países da Europa, que começou a se concretizar há 60 anos, caminhou, quase sempre, de acordo com os interesses políticos, econômicos e militares dos Estados Unidos
1º de janeiro de 2003
A ofensiva contra o serviço público
Apesar de o balanço das privatizações ter se revelado negativo para os usuários no mundo inteiro, o governo francês anuncia a venda total ou parcial das poucas empresas públicas ainda existentes, entre elas a lucrativa Air France, a “jóia da família”
1º de novembro de 2002
Uma convenção convencional
As conclusões do trabalho da Convenção não terão valor coercitivo. Servirão simplesmente de base de trabalho para os ministros da União Européia que, reunidos em conferência, disporão de um ano para elaborar um esboço de tratado
1º de julho de 2002
Todos cidadãos transatlânticos?
Numa ficção científica instigante, Régis Debray imagina a criação dos Estados Unidos Ocidentais, resultado da incorporação da Europa aos EUA
1º de junho de 2002
As primeiras reações
O governo espanhol divulgou uma declaração conjunta com o governo norte-americano, manifestando a convicção de que “somente a consolidação de uma ’situação democrática estável’ poderá oferecer um futuro de liberdade e progresso ao povo venezuelano”
1º de maio de 2002
Fundos de pensão acentuam desigualdade
As aposentadorias dos fundos de pensão americanos, que dependem das oscilações do mercado de capitais, contribuíram para estagnação, ou até diminuição, da renda familiar da maioria. Melhoria, só para os 5% mais ricos
1º de abril de 2002
O confisco da soberania popular
Existe sentido nas eleições francesas depois da Cúpula de Barcelona? As questões fundamentais para os cidadãos já foram resolvidas, não no Parlamento, em Paris, mas no encontro de chefes de Estado e de governo da União Européia
1º de abril de 2002
Moeda, a cristalização do político
A partir de 1o de janeiro de 2002, sugere-se um “plebiscito espontâneo, maciço, pluri-diário, até a decisão final”: a eliminação de uma “moeda privatizada pelos eurocratas, os banqueiros centrais e o Banco Central Europeu”. Aguardemos
1º de dezembro de 2001
Pisando no acelerador
Para comentaristas e políticos do mundo ocidental, as negociações que resultaram da Conferência da Organização Mundial do Comércio em Doha “poderiam abrir caminho a um número incalculável de reformas, contribuindo para a abertura dos mercados”
1º de dezembro de 2001
O que é o Parlamento Europeu?
O Parlamento não pode redigir e adotar por si próprio um decreto ou uma proposta. Seu poder de veto não se aplica à política agrícola comum, à política fiscal, econômica ou monetária. Por outro lado, aplica-se a certos dispositivos na área social
1º de setembro de 2001
Por um projeto popular coletivo
Mesmo sem apoio popular, a Comissão Européia extrapola a legitimidade que lhe conferem os tratados e aciona um gigantesco arsenal legislativo, produzido por quase meio século de construção européia e conhecido pelo nome de “aquisição comunitária”
1º de setembro de 2001
Rumo ao inferno verde
Arrumamos nossas cobertas e nossos travesseiros e louvamos a graça do Senhor. Quando, no dia seguinte, dobramos as cobertas e a lona, encontramos debaixo desta uma imensa cobra que viera se aquecer durante a noite
1º de agosto de 2001
Quatro séculos de perseguições
Os mennonitas são descendentes dos anabatistas, seita alemã originária da Saxônia que, além do batismo de adultos após a conversão, reivindicava a abrangência da Reforma no plano social, por meio da coletivização dos bens
1º de agosto de 2001
Os mennonitas e o futuro
Em meio à tristeza desértica do Chaco, a cidadezinha de Filadélfia (7 mil habitantes), com suas ruas e avenidas geometricamente desenhadas, suas casas elegantes, seu ciber-café e seus restaurantes, parece saída do Meio-Oeste norte-americano
1º de agosto de 2001
"Transparência Internacional" ou cortina de fumaça?
Duas estranhas características marcam a atividade desta ONG norte-americana, que se diz disposta a combater a corrupção. Ela protege os corruptores e cala diante dos "ajustes estruturais", que promovem transferência brutal de renda em favor das grandes empresas
1º de maio de 2001
Um arsenal pouco utilizado
1º de maio de 2001
Em Nice, a Europa diz não!
A União Européia tornou-se, nos últimos anos, justificativa oficial para as políticas conservadoras. Os governos dizem que ela os impede de adotar medidas justas, e por causa dela é preciso adotar decisões impopulares. Se é assim, que tal protestar diante de quem de fato tem poder?
20 de dezembro de 2000
Instituições sob suspeita
Dois fenômenos jogaram uma ducha de água fria na segurança das duas instituições: a constatação do fracasso de suas políticas e as manifestações maciças que passaram a acompanhar cada uma de suas reuniões
12 de setembro de 2000
À sombra de Washington
Tanto o Fundo Monetário Internacional quanto o Banco Mundial, encontram-se sob a estreita tutela do Departamento do Tesouro norte-americano. São as três partes decisivas do famoso Consenso de Washington
12 de setembro de 2000
O naufrágio do Equador
Para obter um empréstimo de urgência de 300 milhões de dólares do FMI, o país foi obrigado a concordar com um "pacote" de medidas que significam leiloar a nação
12 de setembro de 2000
Se o passageiro soubesse...
O acidente ocorrido com o avião Concorde no dia 25 de julho coloca de maneira dramática a questão da segurança no contexto da liberalização do transporte aéreo. Os cortes nas despesas com salários e manutenção explicam a deterioração dos serviços
12 de agosto de 2000
Nasce a Europa S.A.
O documento final da reunião do Conselho Europeu em março, em Lisboa, deliberou sobre as futuras estruturas políticas do bloco. Trata-se, numa definição curta e grossa, do atrelamento do futuro da Europa à camisa de forças do liberalismo
12 de junho de 2000
A língua "dolarizada"
Aquilo que em qualquer outro país, não passaria de servilismo lingüístico voluntário, ganha imediatamente, na França, a dimensão de um casus belli. Defender o direito de se exprimir na sua própria língua equivale a um ato de agressão contra os Estados Unidos
12 de maio de 2000
Inventar um protecionismo altruísta
A introdução de cláusulas sociais e ambientais no comércio internacional pode ser uma alternativa para evitar que os países do Sul continuem submetidos às transnacionais
12 de fevereiro de 2000
Por uma sociedade de tempo liberado
Diante da revolução tecnológica, e do desemprego crescente que ela provoca, é preciso ousadia para propor novas formas para repartir a renda. As alavancas de uma emancipação coletiva e individual já existem. Que projeto político, nacional e internacional, saberá usá-las?
1º de dezembro de 1999