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Diego Viana

Diego Viana é jornalista e economista. Está há um ano na Paris de carne dura e sangue quente, estudando a filosofia e a vida do Velho Continente. No mundo inverso da internet sem pátria, é Osrevni, e publica dois blogues: Para ler sem olhar e Cálculo renal.

Seus artigos nesse site:

Palavra 54

Desdizeres de quem escreve
As nossas opiniões e fantasias não são maiores que o correr dos dias
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Entre o livro-objeto e o livro-experiência
Ainda hoje, apesar de todas as transformações vividas pela sociedade nas últimas décadas, leitores adultos ainda torcem o nariz para livros que fogem ao estereótipo de simplicidade e didatismo comumente associado ao “livro para crianças”
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A ternura masculina sem pudores
José Luis Sampedro não nos permite tirar a dignidade de seu protagonista: não há como sentir pena dele
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O pavimento beijado
A pobre senhora inspirou profundamente, inclinou-se para um lado e se pôs a tatear a superfície encardida da calçada
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24 de janeiro de 2009

O pavimento beijado
A pobre senhora inspirou profundamente, inclinou-se para um lado e se pôs a tatear a superfície encardida da calçada
24 de janeiro de 2009

De volta aos rostos
Ao reencontrar as fisionomias, sou tomado pelo alívio. Estão todos ali, onde deveriam estar, indiferentes, na plataforma do metrô. Vejo-as congeladas, num estranho estado de suspensão, enquanto esperam o trem para subir
9 de janeiro de 2009

Scherzo com física e moleskine
Os objetos da física, os monumentos do quotidiano, os sabores, cores e temperaturas são aquilo que deles sentimos e vemos, imagens de um qualquer coisa bruto que está lá fora e que só aceitamos como mais real do que os sonhos porque temos a consciência e a convicção de estarmos despertos
5 de dezembro de 2008

Nuvem carregada
A mim, ninguém oferecia um gole, ao velho que já passou do tempo. Mas eu não sentia. Minha boca, enrijecida, já se acostumara à posição de paralisia, lábios e gengivas endurecidas sem ambição alguma de falar
23 de novembro de 2008

Do inútil (ao fútil)
O fútil, porque está tão aquém de nossa melhor dedicação, deixa entrever a existência de algo que é seu oposto absoluto
8 de novembro de 2008

Mês de desgraça ou descanso
Não tente viver como um francês em Paris em agosto. Já ao longo do ano essa é uma idéia de turista com complexo de superioridade; no verão, simplesmente não é possível
31 de agosto de 2008

Aquém do enigma
Pela terceira vez, teria de construir uma existência nova a partir de uma que já era inteira. Não que rejeitasse o desígnio. A esse ponto, já fervilhava o desejo de demolir noção atrás de noção, invadir uma a uma as camadas da outra vida, superar as definições reduzidas em nome da interminável descoberta
8 de agosto de 2008

A nação e o baile
Como praticamente tudo neste início de século, o nacionalismo sobrevive transferido para a esfera das relações pessoais. Os dialetos, a música, o futebol, os ídolos, a cozinha, as paisagens
26 de julho de 2008

Um discurso, quando o desejo é calar
Somos criados para aplaudir a mais dramática das desgraças; estamos acostumados a rir do sofrimento e derreter de comiseração pelas misérias. Mas a reação que temos diante de uma alegria pacata, digamos, de atirar pedrinhas no lago, é bem diferente. Bocejamos, viramos a página, mudamos de canal. A bonomia é coisa muito fastidiosa, sobretudo a dos outros
5 de julho de 2008

Um episódio em parte real
Cheguei a fantasiar que o catalisador de toda a história desapareceria de repente ou revelaria ser um demônio, um duende, qualquer ser sobrenatural. Mas qual, o velho continuou encalacrado, olhos nos joelhos, como se nada se passasse à sua volta
21 de junho de 2008

Seis
Para boa parte dos seguidores de Pitágoras, o divino Um era a manifestação inteligível do universo, o Dois colocava diante do homem a presença dos opostos, o Três escancarava os portais do múltiplo
6 de junho de 2008

Na rua, outra rua
De manhã, domingo, o tapete cristalino sobre o chão denuncia a madrugada em que a rua, tão desimportante, pertenceu a pessoas que costumam só ter com ela uma relação de passagem ou compromisso. O bar, portas fechadas, recobriu-se de seu aspecto simplório, por trás da bandeira puída
24 de maio de 2008

Uma fábula de paredes
Enquanto espia o chuvisco sobre a folhagem da rua, não percebe como a memória apagou os sofrimentos e fechou as feridas. Restam só as imagens de terras exóticas que o fascinaram, lugares não raro ausentes dos mapas
9 de maio de 2008

Um conhecido entre os traços
Está claro, mas não nítido, por que o desgraçado é assim tão familiar. As paralelas que deveriam se encontrar no infinito podem sofrer desvios. Podem chocar-se ainda no tempo. Eventualmente, acontece
25 de abril de 2008

April in Paris
Em Paris, a beleza brota como uma resposta à opressão do inverno, uma vitória daqueles que sobreviveram, uma ressurreição mitológica revivida a cada ano. A mística em torno do equinócio é profunda, ancestral, dionisíaca. O movimento é patente
11 de abril de 2008

Estranho objeto
De súbito, faltou fôlego. Cessou a confusão do batismo cego. Poderia decidir-se por qualquer daqueles nomes, ou qualquer outro; subsistiria o mais terrível dos atributos, sempre. O que trazia nas mãos, nelas teria de seguir.
29 de março de 2008

Rosa de fevereiro
Se os antigos, em pastorais de telas e sinfonias, exultavam de retratar o alívio explosivo das cores a brotar, os modernos têm a ousadia insolente de desmerecer as rosas, reduzidas a atavio.
7 de março de 2008

As concubinas do sultão
Percebo que não conheço São Paulo. Acredito que ninguém conheça. Pois a cidade não se deixa conhecer. Como se precisasse esconder o rosto, ela abafa a própria voz natural, uma vibração produzida a cada instante pelo flutuar de seus habitantes.
22 de fevereiro de 2008

Os cheiros da terra
Que a terra na França exale um perfume rústico e irresistível quando chove sobre ela, admito com prazer. Mas empenho minha palavra como não é igual ao que inspirei nesta manhã em Guarulhos e experimentei tantas vezes, em inúmeros recantos do país.
2 de fevereiro de 2008

Moldar o homem
Imagine, quanta identificação, quanta empatia, quando o povo soubesse que o presidente é tão normal, "como todo mundo", que foi até traído pela mulher! Mas, estranhamente, houve pouco mais do que alguns comentários chistosos, nos botecos e nos cartuns, sobre o "reizinho corno". E o assunto morreu.
18 de janeiro de 2008

Sobre símbolos e eras
São os orientais, hoje, que não respeitam nada do que já há; pensam no que ainda haverá, e interpretam o presente como mera matéria-prima, tão bruta e maleável como a areia da praia.
22 de dezembro de 2007

Cento e sessenta homens parrudos
Nem o mais aloprado dos econometristas haverá de encontrar traços de eficiência no ato de mandar cento e sessenta policiais (escrevo por extenso para aumentar o impacto) para combater uma pequena, digo mais, minúscula greve de estudantes.
30 de novembro de 2007

O caso dos pensadores mortos
"O corpo de um matemático de renome, professor de cursos disputados, pesquisador das equações mais abstrusas, foi encontrado sentado em seu gabinete, a cabeça sobre uma pilha de papéis, os olhos arregalados, fixos, a boca escancarada, os dedos ainda apertando a caneta"
17 de novembro de 2007

Como saber-se adaptado
Ainda temos pela frente o Natal, o Ano-bom, o Carnaval; mas meu sonho é com o mês de abril, das cerejeiras em flor, das tulipas maiores do que meu punho, da reabertura dos jardins, que acolherão os piqueniques e os violões.
3 de novembro de 2007

E Paris mudou de cara
Estrangeiro em tudo e todos. O autor incursiona pelo encanto sombrio da Cidade Luz, onde seus sentimentos mesclam-se de forma sinestésica e paradoxal entre o medo e o fascínio diante da outra face de Paris
19 de outubro de 2007


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Caderno Brasil

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» Ciência e democracia na Amazônia
» A máquina do Estado e as desigualdades cidadãs
» Mirar Battisti, acertar a multidão
» É de baque-solto
» O estuprador e o algoz
» Deusas do cotidiano
» Plano de duas feministas
» Marchinhas para um carnaval francês
» Europa brasileira 4
» Os economistas e a crise
» E por falar em saudade
» Palavra 56
» A grande oportunidade de Obama
» Ouvir o silencio
» Carta Capital e o país de Pinocchio
» A visão sagrada de Israel
» Sobre Gaza, sobre Israel, sobre nós
» O encontro marcado
» Palavra 55
» Um ato contra a tortura
» A constatação da alteridade
» Europa Brasileira - Abrigos - 1
» Pró-colabore!
» Paris para crianças II
» A crise financeira sem mistérios
» A crise: janela de oportunidade para os países tropicais?
» César Battisti: quando o governo brasileiro é exemplo de democracia
» A presença da Amazônia no FSM 2009
» Desafios do FSM 2009
» Palavra 54
» FSM: Mais do que nunca, apostar na imaginação
» Import Export capitalismo e submissão
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» O gozo de Gaza
» Revolução Cubana: 50 anos de resistência e dignidade
» Puta Ontológica
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» Do seqüestro da economia a possíveis portas de saída
» Breve história nasal da França
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» Jardim Santo André na Galeria Vermelho
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» A Raposa Serra do Sol no STF
» O Fantasma das rebeliões
» Cultura livre, movimentos e humanização do Capital
» 50 anos de Formação econômica do Brasil
» Quem tem medo de Obama
» Palavra 50
» TSE desafiado a ouvir a voz do povo do Maranhão
» Novos dias
» O dia que a terra parou
» Monsanto escancarada
» Palavra 49
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» Explicando o verão francês
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» O vazio
» Ignacy Sachs propõe Outra Amazônia
» Amazônia – laboratório das biocivilizações do futuro
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» A leitura na vida e na morte do Che
» Para uma retomada da razão no mundo árabe-islâmico
» Nada será como antes
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» Para compreender a crise financeira
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» No referendo, o sinal para a virada
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» Sapatos de pano contra o vazio de afetos
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» Onde mora a poesia
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» Palavra 6
» Sabores do cacau com consciência
» Para compreender a força de Lula
» Morrer e virar verde
» CPMF: muito além dos clichês
» Palavra 5
» O biscoito fino das quebradas
» A Copa (verde) do Mundo é Nossa!
» A paz invade o coração da Colômbia
» Para que as cidades ressuscitem
» Por que o Ocidente despreza o Islã
» Palavra 4
» Multidões inteligentes e
transformação do mundo

» Viagem a uma empresa utópica
» A arte rebelde do maestro Lutero
» O novo mosaico global,
visto por Fiori

» Palavra 3
» Muito além de Gutenberg
» A arte que liberta não pode vir
da mão que escraviza

» A Revolução das segundas-feiras
» Palavra 2
» Controlar as grandes empresas, para libertar a democracia
» Por trás dos links, as pessoas
» Diplô lança Palavra
» Tão bárbaros como Bush
» Outra economia, além do capital
» O paradigma da colaboração
» Saudável heresia em São Paulo
» Agora, também nas bancas
» A possível Revolução Energética
» Um choque entre dois modelos
» Muito mais que novos combustíveis
» De que revolução se trata
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» Libertar os animais, reumanizar a vida
» Da barbárie e seus antídotos
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» Morrer na Indonésia
» Irã, hipocrisia e interesses

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