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Já nas bancas
Ficar próximo da vida e tornar público - publicar - essa dificuldade da condição humana, requer o esforço do simples, sem o rebuscamento da superficialidade. E essa é uma das habilidades de Clarice!
No livro, há a delicia do jornalismo livre, que nós leitores, atualmente, procuramos com avidez e é cada vez menor, pela pouca importância dada ao ato de publicar a diferença, como instrumento que garante a cooperação, colaborando para o "journamento" ou melhor, para colocar em dia os acervos sociais e culturais.Ponto crucial para distinguir os escritores – quando estão artistas ou jornalistas
A insistência ao enaltecimento da repetição - petição à mesmice, sintoma efervescente, feito de formulas de sucesso encobrindo o egoísmo da auto-suficiência – é uma praga a avançar avassaladoramente.É preciso conte-la, se não por outro motivo, apenas porque uma das primeiras profissões a serem corroídas, será o próprio jornalismo.
Mas ainda existem antídotos, marcas evidentes que a diferença deixa o monólogo de lado e que o diálogo restaura os danos de sabermo-nos insuficientes de recursos perante a vida. Enfrentamos, com a publicação de diferenças , a tarefa de tornar visível, o que está por ser dito, como nestas magistrais entrevistas de Clarice e nas memoráveis crônicas de futebol de Nelson Rodrigues! Elas são leves, passionais, amorosas, inovadoras, como só os artistas- escritores conseguem construir!Mas elas também tem a liberdade que esperamos dos escritores-jornalistas! E relidas aos borbotões tratam o tédio e as dores de cabeças que algumas mídias nos condenam.
Parece, que a entrada do Le Monde Diplo Br à internet fortalece o espaço de tornar publico o primeiro direito à liberdade - amar a diferença. Acompanhemos!