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Já nas bancas
A teoria do capital humano implica que os empregadores valorizam mais que tem maior capital humano porque estas pessoas são capazes de produzir mais, especialmente em empregos de alto nível técnico, em que um analfabeto não poderia assumir o posto de um engenheiro, por exemplo.
A culpa por não possuir maior capital humano não é necessariamente do indivíduo. Isto depende da sitação conjuntural dele: (a) uma pessoa com muito capital humano pode estar subaproveitada em uma região. Para que ela consiga melhores condições, ela precisaria ter contato com um mercado melhor para ela; ter meios para chegar neste mercado. São dois critérios que podem ser resolvidos por atuação governamental. (b) uma pessoa com pouco capital humano que não consiga aumentá-lo. Ou ela não o faz por ser orientada para o presente, ou ela não o faz por não ter acesso. A primeira situação é sim causada por uma decisão individual. A segunda situação pode ser solucionada por atuação governamental.
É um equívoco afirmar que a teoria do capital humano atribui a culpa de estar desempregado ao próprio desempregado. Existem falhas que poderiam ser corrigidas pelo governo e que nada te de responsabilidade do desempregado, como a falta de acesso e falta de informações, baixos salários médios e custos de contratação.
"Esse cinismo e essa inconsciência contribuem para convencer uns e outros de que, se estão desempregados ou nas ’galés’ dos empregos precários, a culpa é deles mesmos: é que eles não têm grande coisa para vender ou não sabem vendê-la corretamente."
Na verdade não. A teoria do capital humano implica que a pessoa é capaz de conseguir melhores retornos com: educação e prfssionalização; migração e busca e novos empregos. Elas tem como custos para isso: despesas com mensalidades e livros; mudanças e transporte; ganhos cedidos do trabalho enquanto acumulam capital humano; e perdas psicológicas pelo estresse das atividades desgastantes. Por "retorno" entenda nível mais alto de benefícios e salários; maio satisfação no emprego; maior apreciação por atividades e interesses fora do mercado de trabalho (como gosto por estudos, filosofia, afinamento de idologias, entre outros).
"Isso os leva não somente a abandonar toda solidariedade pelos supracitados"
Isto não é necessariamente uma verdade. Isto só ocorrerá se os trabalhadores tenderem a ser individualistas, pois a interpretação do capital humano como uma estratégia de competição apenas envolve aqueles que concorram ao mesmo emprego. Dado que os supracitados são pessoas incapazes de concorrer com os pretensos individualistas, eles ainda podem incorrer em medidas solidárias. Inclusive existe o fenômeno de externalidade positiva para o acúmulo de capital humano: os retornos do capital humano tendem a ser mais sociais que individuais, já que as pessoas mais qualificadas tendem a externalizar sua educação aos próximos (como por exemplo, nesta discussão). O que contribui para a noção de bem social atribuída ao capital humano (economistas sugerem que o governo invista em capital humano porque a sociedade sozinha tende a investir menos do que seria ótimo para ela mesma).
Um último equívoco que eu observei foi quanto ao termo "vender" mão-de-obra. Visto que o capital humano é um ganho pessoal, ele só é transmitível multiplicando-o. A pessoa não perde seu capital humano por utilizá-lo para o trabalho, inclusive esta atividade provavelmente aumentará o capital. O termo mais semelhante possível seria de alugar o seu capital humano, ao preço dos benefícios mais o salário.