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A fraude do conceito de “capital humano”

A teoria do capital humano implica que os empregadores valorizam mais que tem maior capital humano porque estas pessoas são capazes de produzir mais, especialmente em empregos de alto nível técnico, em que um analfabeto não poderia assumir o posto de um engenheiro, por exemplo.

A culpa por não possuir maior capital humano não é necessariamente do indivíduo. Isto depende da sitação conjuntural dele: (a) uma pessoa com muito capital humano pode estar subaproveitada em uma região. Para que ela consiga melhores condições, ela precisaria ter contato com um mercado melhor para ela; ter meios para chegar neste mercado. São dois critérios que podem ser resolvidos por atuação governamental. (b) uma pessoa com pouco capital humano que não consiga aumentá-lo. Ou ela não o faz por ser orientada para o presente, ou ela não o faz por não ter acesso. A primeira situação é sim causada por uma decisão individual. A segunda situação pode ser solucionada por atuação governamental.

É um equívoco afirmar que a teoria do capital humano atribui a culpa de estar desempregado ao próprio desempregado. Existem falhas que poderiam ser corrigidas pelo governo e que nada te de responsabilidade do desempregado, como a falta de acesso e falta de informações, baixos salários médios e custos de contratação.


Igor Coura
2008-05-24 21:49:59

A fraude do conceito de “capital humano”

"Esse cinismo e essa inconsciência contribuem para convencer uns e outros de que, se estão desempregados ou nas ’galés’ dos empregos precários, a culpa é deles mesmos: é que eles não têm grande coisa para vender ou não sabem vendê-la corretamente."

Na verdade não. A teoria do capital humano implica que a pessoa é capaz de conseguir melhores retornos com: educação e prfssionalização; migração e busca e novos empregos. Elas tem como custos para isso: despesas com mensalidades e livros; mudanças e transporte; ganhos cedidos do trabalho enquanto acumulam capital humano; e perdas psicológicas pelo estresse das atividades desgastantes. Por "retorno" entenda nível mais alto de benefícios e salários; maio satisfação no emprego; maior apreciação por atividades e interesses fora do mercado de trabalho (como gosto por estudos, filosofia, afinamento de idologias, entre outros).


Igor Coura
2008-05-24 21:49:06

A fraude do conceito de “capital humano”

"Isso os leva não somente a abandonar toda solidariedade pelos supracitados"

Isto não é necessariamente uma verdade. Isto só ocorrerá se os trabalhadores tenderem a ser individualistas, pois a interpretação do capital humano como uma estratégia de competição apenas envolve aqueles que concorram ao mesmo emprego. Dado que os supracitados são pessoas incapazes de concorrer com os pretensos individualistas, eles ainda podem incorrer em medidas solidárias. Inclusive existe o fenômeno de externalidade positiva para o acúmulo de capital humano: os retornos do capital humano tendem a ser mais sociais que individuais, já que as pessoas mais qualificadas tendem a externalizar sua educação aos próximos (como por exemplo, nesta discussão). O que contribui para a noção de bem social atribuída ao capital humano (economistas sugerem que o governo invista em capital humano porque a sociedade sozinha tende a investir menos do que seria ótimo para ela mesma).

Um último equívoco que eu observei foi quanto ao termo "vender" mão-de-obra. Visto que o capital humano é um ganho pessoal, ele só é transmitível multiplicando-o. A pessoa não perde seu capital humano por utilizá-lo para o trabalho, inclusive esta atividade provavelmente aumentará o capital. O termo mais semelhante possível seria de alugar o seu capital humano, ao preço dos benefícios mais o salário.


Igor Coura
2008-05-24 21:48:31

Eita capital humano

Bem amigos do Le Monde Diplomatique. Eu fico impressionado com a desfaçatez com quem esses neoliberais vendem seus peixes podres. Vejam só os senhores usineiros, nossos grandes heróis, como nunca, na história deste país, existiram iguais. Esses usineiros - não apenas os do Nordeste, mas os daqui de São Paulo - são os grande promotores do capital humano. Os procuradores do Ministério Público do Trabalho de Bauru que o digam. As mesas da Procuradoria está cheia de ações nas quais os senhores usineiros são acusados de exploração de seus trabalhadores, desrespeito à legislação trabalhista e sistema de trabalho análogo à escravidão. Esse é o capital humano que essas empresas promovem. Já que o Brasil, depois de mais de um século, ainda não conseguiu extirpar essa vergonha nacional, que é a exploração de seus trabalhadores, em regime parecido com a escravidão, então é chegada a hora de resolvermos o que queremos para este país.
Site: EIS CAPITAL HUMANO
ARIOVALDO PITTA
2008-01-17 04:19:17

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