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Depois de Fidel, o quê?

Antônio Martins: Gostei tanto do seu artigo quanto do comentário de Mandrake. Fidel, mas uma vez, dá exemplo de sua capacidade de inteligência; viu no cenário político e econômico a possibilidade de continuar a revolução, e sua renúncia colabora para uma transição sem choques - mesmo tendo em vista mudanças necessárias. Nosso momento é único. A América Latina se unindo formará um bloco sólido. Acrescento ainda que precisamos divulgar conteúdos como os do "LE MOND...", para que a sociedade torne-se um exército com idéias. A maioria das pessoas de meu convívio são completamente alienadas quanto ao que está ocorrendo, vêem Fidel, Chávez e Moralles como seres alucinados. Todos desejam sorte, mas também podemos ser responsáveis pelo sucesso de Cuba. Em consultórios médicos não encontramos leituras de boa qualidade, taí uma forma de divulgação que atingirá grande contigente.
Lúcia Ribeiro
2008-03-04 01:23:28

Depois de Fidel, o quê?

É certo que Cuba ainda hoje, não obstante as crises dos anos 90, tem um dos maiores índices de desenvolvimento humano da América Latina, com quase 100% da população alfabetizada e com acesso a saúde. Também é certo que não há liberdade de imprensa, parlamento independente ou qualquer coisa que se assemelhe a uma democracia. Contudo, justificar a ditadura cubana em razão dos ganhos sociais, seria como justificar a ditadura militar brasileira através do milagre econômico dos anos 70. Mas esquecer-se dos ganhos sociais da ilha de Cuba nesses anos e sobretudo durante o apoio soviético seria levar Fidel Castro à vala comum onde se encontram inúmeros ditadores que, sobretudo na América Latina e na África, com a mesma força de Castro, não alcançaram sequer metade do que alcançou Cuba. Assim, tenho dificuldades em julgar a politica cubana e Fidel, deixando essa missão para a História, mas boa ou ruim, a ilha deverá ser sempre lembrada como algo diferente que marcou o século XX e sobetudo como uma história de resistência à maior potência do planeta. Torço para que Cuba possa progredir gradativamente e, quem sabe mutatis mutandis como fez a China, aproveitar a economia de mercado para seu crescimento, e que também de maneira progressiva, possa trilhar os rumos para que lá se estabeleça um estado democrático de direito. E que a política latino americana, a começar por Morales e Chavez possa se inspirar em Fidel na sua preocupação social que, se somada ao reconhecimento da liberdade do indivíduo e da dignidade humana como pilares axiológicos do Estado trarão benefícios efetivos a todos. Boa sorte a Cuba!
Mandrake
2008-02-24 13:57:49

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