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Já nas bancas
Ao Diplô Brasil,
quem é esse Guilherme? Fico triste que sob o manto da semiótica, de frases cuidadosamente elaboradas, se escreva um artigo vazio. Sempre gostei do Diplô pela capacidade de unir análise crítica e ação, mas, um artigo como esse e segundo Antonio Martins, vai ser coluna fixa (espero que não na edição impressa), não tem nada a ver com essa tradição. Soltar o verbo a la Mainard, Azevedo e Magnolli só que com verniz de esquerda ajuda pouco a entender e a atuar sobre a realidade. Que há na publicidade e na propaganda um aspecto altamente pernicioso é óbvio, afinal, em tudo no mundo, especialmente no capitalismo há esse dualismo. Mas, o que fazer? Como dar acesso a produtos e serviços necessarios num mundo de 6 bilhões de pessoas? Num país de 200 milhões de pessoas? Por meio de reuniões de células? Espero que o Diplô promova essa discussão, quais as alternativas e não fique satanizando as coisas. Francamente, espero do Diplô um pouco mais de realidade.
Regina Cardoso
Perdão: onde se lê "O senhor citou a denominação comercial da pasta dental", é justamente o contrário que eu queria dizer, ou seja, ’(...) o senhor não citou a denominação comercial da pasta dental". Alongo um pouquinho meu comentário a respeito da omissão involuntária do "não", para completar que, obviamente isto está correto dentro do que é o Jornalismo. Não se cita marca alguma.
Gostei tanto do comentário posterior ao meu, a ponto de sair de minha "suspensão" intelectual... A Filosofia, ou, filósofos (de fato) fazem muita falta no Brasil. Isto é real, ainda que ela se ocupe de abstrações... Que bom! Muito bom o comentário/análise do professor Arturo Fatturi. Saiu da mesmice das análises semióticas de pululam na rede. O Le Monde do Brasil é uma referência intelectual para compreensão desse verdadeiro "mar de mediocridades" reinante. Como tem um viés acadêmico, as análises propostas pelo LMDBr tentam compreender, expandir, entre outros temas, o conceito de cultura nacional. Necessitamos desesperadamente desta proposta. Então, quanto à cultura nacional, o "nó" da coisa é que ela está "mediada", para não dizer "dominada, amordaçada", tanto pelos donos da informação, quanto pelos da publicidade e propaganda. Já pensei até em uma "teoria da conspiração"... Os norte-americanos vivem com isto na cabeça - CIA, FBI... Como cidadã brasileira sinto-me sem referência musical, estética, poética, etc. Sei que um país não pode viver sem sua memória cultural, portanto, o projeto de aniquilamento de nossas raízes culturais vem se aperfeiçoando há décadas. O auge está se dando no atual governo. Total contradição. Os que estão no Poder nasceram da perfeita integração entre a cultura popular (folclore e toda a gama de suas derivações - música, pintura, escultura, etc.) e o contributo da cultura letrada (que "apresenta" a arte e música denominada como reudita, além do folclore de outros povos). Tudo isto (esta dinâmica de produção cultural) foi banido, asfixiado, subalimentado, até ao ponto de, ao que parece, dentro de um ano e tanto, morrerá por falência total. A cultura de um povo é mais que os marketeiros oficiais e os publicitários desejariam que ela fosse, mas ela pode ser arruinada, brusca ou lentamente. No primeiro caso, temos o exemplo da Rússia e de Cuba, e no segundo, o Brasil, no topo, e para dar outro exemplo, a meu ver, a Itália. Esta "copia" tudo que vem dos EUA. É lamentável o quadro. Que fazer? Faço-lhes uma questão: "negócio" de quem? A minha Alma está fora dessa... O problema é que "eu" sei me defender... Mas há milhões delas (falo de Almas consumidoras de bens essenciais ou supérfluos). O País é grande... Afinal são ingênuas ovelhas em vários currais, ou mesmo fora deles, disponíveis para serem abocanhadas por vários tipos de ávidos lobos... A propósito, como vai a Educação em nosso País?
Interessante o artigo. Acerta em vários pontos em sua análise da publicidade.
Contudo, como Prof. de Filosofia e perene estudante da mesma, meus instintos céticos me fizeram perguntar: por qual razão o nome ou marca de uma determinada margarina é citada logo abaixo do título do artigo. Sabemos que os publicitários são capazes de quaisquer coisas para vender um produto ou a si mesmos.
Assim, será que aquela margarina usou seu setor de marketing para elaborar uma peça publicitária exercendo sua maior capacidade de hipocrisia? A coisa seria mais ou menos assim: "Fulano, elabore um artigo em algum órgão confiável, critique a publicidade, mas cite o nome de nosso produto e só do nosso".
Não tenho maiores razões para crer que "não" é isto. A dúvida permanecerá...
Por outro lado, o artigo esquece de elaborar o argumento de que a publicidade o marketingnão visam apenas vender um produto diretamente. O fococentral é vender um estilo de vida, uma subjetividade. Poderia-se dizer: uma alma. Para os publicitários - tal como para Goebels - somos vazios e necessitamos ser preenchidos por uma forma de vida. Esta forma de vida é elaborada, não como uma forma de vida diretamente detectável, mas como algo que se "apega" a um determinado tipo de consumo. Pessoas saudáveis consomem tais e tais produtos e expôem pessoas saudáveis e bonitas, etc.
O negócio da publicidade tem muito a ver com a realidade e neste ponto discirdo amplamente do articulista. A publicidade reorganiza a realidade ou aquilo que nas agências de publicidade eles creem ser a realidade. Assim, suas peças letais estão sempre ligadas ao mundo familiar, sexual, das aparências sociais, etc. Logo, a publicidade e suas peças têm como objeivo principal uma mudança da realidade, uma mudança da subjetividade humana - ou do consumidor.
Não há, para o publicitário, um ser humano com cérebro e vida, há um "alvo" que deve ser transformado numa máquina de consumo exacerbado.
Gostaria que o articulista, se não aprontou alguma peça publicitária em seu currículo, elaborasse mais este aspecto da publicidade.
Arturo Fatturi