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Já nas bancas
Prezado Hernani,
Mantenho minha posição, endossada pelo comentário do Arturo: a Pedagogia percebe na internet e em suas conexões uma pequena parte do processo educacional, pequena porque existe um a priori que condiciona as leituras do mundo cibernético. Esse a priori é a formação do homem, é o reflexo de uma concepção de Homem e de conhecimento da realidade.
Leonardo
Por esquecimento não coloquei meu nome e email na mensagem:
Arturo
arturo@inbox.com
Concordo plenamente com o que afirma o Leonardo. Ao mesmo tempo, creio que as afirmações dele não são oriundas de quem desconhece "redes de conheciemento". Prova disto é que seu comentário tem pouca referência a estas redes. Me parece que ele faz a correta e necessária diferenciação entre "informação" e "conhecimento". O que se pode considerar uma pessoa bem informada? Qual o conheciemnto que a WWW nos fornece? estas questões o articulista passa ao largo. Talvez por ser um "evangelista" das Redes e não alguém que reflete sobre elas.
O próprio termo "redes sociais" é uma contradição em termos, pois a única rede que não é social é a rede equanto objeto. Se é uma rede de troca de informações, então já é social, pois supôe "interação social", isto é, ao menos duas pessoas estão partilhando expectativas, valores e fins. Ao mesmo tempo, uma rede só é social se supôe reciprocidade.
Por exemplo, faz algum tempo tento lidar com a experiência do Software Livre. Entretanto, sempre que falamos de SO Livre parece que determinadas informações não são veiculadas. Existem vários sistemas operacionais livres, qual deles é o mais interessante? A questão não é apenas saber que existem vários, mas saber qual é o mais adequado às necessidades de cada pessoa. Assim, a informação existe, mas não a educação necessária para saber empregá-la. O governo Brasileiro tem dado bastante enfase numa distribuição do Linux apenas e não à outras. Quem compra um Pc Conectado recebe junto um sistema operacional, que varia apenas no nome de fantasia, mas tem sempre a mesma base: GNU/Linux. Entretanto, todas estes "nomes de fantasia" parecem mais empresas criadas "no momento", do que tentativas sérias de criar algo duradouro. Ao visitarmos o sitio da Cipsga nota-se que apenas uma distribuição é Livre, sobre as outras: calamos! (Propaganda institucional?)
Temo que a falta de informação sobre estes aspectos possa gerar uma facilidade de investigação de informações alheias. Afinal grande parte das pessoas que critica o governo possui acesso à internet. Portanto, vejo aí uma escolha ideológica perigosa.
O que ocorre na internet não é Pedagógico: a não ser que vamos chamar de educativo a mera troca de emails, IrC e orkut. As pessoas não sabem o que fazer com estas ferramentas e, por fim, tornam-se escravos das mesmas.
O que existe na Rede é muito auto-ditadismo sem contexto: a pessoa caça informações e não sabe, não tem educação suficiente para distinguir qual a informação lhe é útil. Informações são apenas úteis. Ora, o que as Redes pressupôem é que apenas participar de uma rede implica ser educado. Não há pedagogia aí. Vejo que há bastante ideologia e um novo vocabulário que mais parece complicar do que facilitar. A educação não é mera troca de informações. Mesmo o termo "informação" deve ser muito bem definido, pois nem tudo que ocorre na internet (ou memso numa rede) é informação e sim tentativa de "enformação", que é algo bem diferente. Os alunos de Cursos de Sistemas de Informação sabem bem deste problema básico: o que é uma informação.
Assim, o artculista supõe que a Pedagogia ou o estudo do Ensinar é uma forma de "doutrinação" e que a mera propagação de informações seria possibilitar conhecimento. Contudo, está enganado. Considerando as coisas apenas em termos de informação, nada se pode concluir do fato de que eu tenha um computador com acesso à internet em casa ou no trabalho. Para que isto seja uma informação relevante deve ser colocada num determinado contexto. É este contexto que a Educação fornece.
O articulista esquece que a Pedagogia também é uma forma de buscar conhecimento sobre métodos de educação e de aprendizagem. A Rede pressupôe aprendizagem, mas não a fornece. Ao mesmo tempo Educar uma pessoa é fazer com que o Ser Humano possa crescer e desenvolver suas capacidades morais e intelectuais. Logo, o Professor e não o mentor da rede, é a figura central. O atual governo bem como todos os outros, malgrado as promessas, não têm dado atenção necessária para a formação dos professores. Basta ver a dificuldade de ter vontade política de mudar a realidade da educaçãono Brasil. Facilitar a entrada na Univesidade é o mesmo que facilitar o acesso à internet: não conduz à educação necessariamente. Contudo, o que confirma o papel fundamental do professor na sala de aula, da relação social entre alguém que ensina ou ajuda a aprender e alguém que deseja aprender, é a precariedade calculada politicamente para a profissão de professor.
Ora, ser professor é trabalhar com a formação de uma pessoa, de um Ser Humano e por tal razão os professores são vilipendiados e mal pagos: é uma profissão ideológica e moral. Basta ver os exemplos que a história nos fornece: o Nazismo não poderia ter a força que teve se não fosse "ensinado"; o khmer vermelho acabou com os professores, sob pretexto de que eram "burgueses" e o Cambodja (hoje Kampuchea) sofre até hoje com esta decisão política; o mesmo se pode dizer de Stalin, de Pinochet e de Chaves.
Por fim, acusar uma pessoa de "desconhecimento" não é responder aos argumentos que ela lançou. Quem estuda lógica - não apenas se informa sobre lógica - sabe que tal estratégia é uma falácia. Se os argumentos do Leandro estão errados, então é necessário demonstrar logicamente. Mas, o desconhecimento do Leandro não é o que está em questão. Atacar a pessoa do Leandro não prova a verdade do que o articulista afirma. A nâo ser que o articulista seja uma espécie de "guru" religioso. Neste caso a crença nele é a prova da verdade do que ele diz. Mas, neste caso mudamos de assunto.
Mais estudos de pedagogia não fazem mal a ninguém.
OBS: quem desejar optar livremente por um determinado sistema operacional, segundo suas necessidades e possibilidades, basta ir no seguinte edereço de internet www.distrowatch.com Cada distribuição é apresentada e comentada. Uma prova de que é necessário saber sistematizar as informações para um fim determinado.
"Assim, posso não entender de pedagogia. Mas, com certeza, a internet impacta absurdamente na forma de as pessoas aprenderem e ensinarem."
Sem dúvida! Mas muito antes da Internet, alguns dos pensadores sobre como as pessoas aprendem, já vislumbravam que a interação entre os que sabem mais e os que sabem menos contribue de forma decisiva para as aprendizagens. Pense Vygotsky e sócio-interacionismo!
Com a internet, esta idéias ganharam apenas radicalidade, uma vez que os conteúdos culturais e "o conhecimento" pode estar além das pessoas, isto é, também podem está em dispositivos!
Pense Siemens e no seu Conectivismo!
A internet possui a capacidade de conectar coletividades por meio da disposição de redes que operam como os nós pelos quais A e B se encontram ligados. Esses nós surgem quando há pessoa sinteressadas em uma mesma informação, seja pelo desejo de informar ou pela vontade de serem informadas acerca de um assunto. Ora, informação é uma coisa, formação é outra. Posso ter acesso a um milhão de blogs e achar que há um milhào de escritores no mundo, se não consigo efetuar uma seleção objetiva de um bom escritor.Todos os gênios nasceram antes da internet, não? Eles possuiam até uma quantidade maior de informações; James Joyce sabia 11 idiomas, Machado de Assis aprendeu inglês sozinho, etc.). Havia uma necessidade imperiosa de formação: saber aprender. E saber aprender não possui uma relação causal com a internet. Ou seja: ler blogs e conectar-se ao mundo cibernético não aponta, necessariamente, para uma formação consistente. Qualquer um, minimamente alfabetizado, consegue fazê-lo. Essa é a diferença fundamental, meu caro autor: uma coisa é educar para que o homem consiga se informar; outra, totalmente diferente, é formar o cidadão, a pessoa capaz de realizar processos de seleção, participando positivamente para a construção de um espaço público em que todos possamos viver (e bem).
Como se vê, a Pedagogia vê na internet e em suas conexões uma pequena parte do processo educacional, porque existe um a priori que condiciona as leituras do mundo cibernético. Esse a priori é a formação do homem.
leonardo