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O genocídio da grande fome do século 19

O avanço da desigualdade social, a concentração dos meios de produção em mãos de poucos, que especulam ou inviabilizam a produção, são variáveis que conduzem o homem ao fenômeno do genocídio da grande fome do século 19.

Não é preciso ir muito longe na história do Brasil, um País adequado a produção de alimentos dado o seu clima e a qualidade de suas terras, mas mesmo assim, Manuel Bandeira, poeta brasileiro, em sua poesia, retratou o Bicho, o homem marginalizado à sociedade, que se resumiu a condição de ratos nos lixões das grandes cidades. Um Homem, que para não agredir e não roubar, busca sobras nos lixos residenciais e quando encontra alguma coisa, não exita, engole.

É talvez, o mais duro retrato do desprezo que a gestão privada do interesse público tem pelo homem natural, que se fez social, mas sem direito a divisão das utilidades produzidas pelo Estado. Um Estado que avança em despesas, mas não faz o enfrentamento da concentração de renda, um permissivo histórico, que aqui foi instalado desde os tempos do descobrimento pelos portugues, sem que qualquer doutrina tem sido elencada em oposição a concentração de renda, primeiro pelo ciclo da produção do café e da cana de açucar, depois com o boi, uma cultura agropastoril, que tem escravizado a sociedade, que hoje desagua na movimentação de capitais e empresas sem pátrias, sem compromisso com o Estados, que aportam capitais e levantam rumo a outras economias, com rastro de destruição social, num processo globalizado de concentração de rendas a velocidade da luz, em constantes buscas do lucro, seguido do prejuízo social. A esse capital, a sociedade dos países globalizados devem tecer regras de contenção da concentração, visado o interesse público, da paz e do desenvolvimento dos povos.

Visto assim, visualizamos nessa movimentação de capital, a mesma violência que a história registrou sobre às invasões bárbaras.

São aqueles, no passado sedentos da produção dos dominados e estes, dos capitais sem pátria, não se diferenciam daqueles, pois trazem a mesma violência da terra arrasada, do saque e da destruição social, mudaram os meios e as ferramentas para a prática da mesma violência.


Site: capitais sem pátrias
GILSON RODRIGUES
2006-10-26 22:32:13

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