logo

dezembro 2005



DOSSIÊ HONG KONG / PALAVRAS

"Livre" comércio, velha trampa

Uma seleção de frases históricas (e reveladoras) sobre os interesses que se escondem por trás da «liberalização» forçada dos mercados


Toda nação que, por meio de tarifas aduaneiras protetoras e restrições sobre a navegação, elevou seu poderio manufatureiro e naval a um grau de desenvolvimento tal que nenhuma outra nação é capaz de sustentar uma concorrência livre com ela, não pode fazer nada de mais judicioso que abandonar as escadas que fizeram a sua grandeza, que pregar às outras nações os benefícios do livre comércio e declarar, com o tom de um penitente, que estava até então perdida nos caminhos do erro e que, agora, pela primeira vez, conseguiu descobrir a verdade”.

Friedrich List, economista, 1840.

Durante séculos, a Inglaterra apoiou-se no protecionismo, praticou-o até seus limites mais extremos, e obteve resultados satisfatórios. Após dois séculos, ela considerou cômodo adotar o livre comércio, pois julga que o protecionismo não tem mais nada a lhe oferecer. Bem, senhores, o conhecimento que eu tenho de nosso país me conduz a pensar que, em menos de duzentos anos, quando a América tiver obtido do protecionismo tudo que ele tem a oferecer, ela adotará o livre comércio”.

Ulysses Grant, presidente dos Estados Unidos de 1868 a 1876.

Os que são prósperos devem colocar em funcionamento as políticas necessárias para reforçar essa prosperidade: menos impostos, menos regulamentação e mais livre comércio”.

George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, 19/7/2001.

A liberalização do comércio só interromperá quando os estrangeiros começarem finalmente a pensar como os norte-americanos, a agir como os norte-americanos e, sobretudo, a comprar como os norte-americanos”.

Um funcionário norte-americano da OMC, Londres, 2001).

Os empregadores não têm nenhum remorso em reduzir seus quadros de funcionários e em deslocar suas operações. O êxodo dos empregos modifica o jogo. A importação de bens produzidos no exterior, e mesmo de serviços, em regimes de baixos preços, é o que disciplina melhor os mercados de trabalho local”.

Richard Epstein, professor na Universidade de Chicago, 3/10/2003.

A globalização (...) tem seu próprio elenco de regras econômicas, que necessitam da abertura, da desregulamentação, da privatização… e sua própria cultura dominante, que homogeneiza e difunde a americanização – dos Big Mac aos iMac e ao Mickey Mouse – em escala mundial”.

Thomas Friedmann, editorialista do New York Times, 1999.

É surpreendente e mesmo doloroso que a aldeia global à qual nós consagramos tantos esforços tenha feito tanto para alimentar o desemprego e os baixos salários de nosso povo”.

William Clinton, presidente dos Estados Unidos, 26/12/1993.

(Trad.: Carolina de Paula)